O lado bom e o ruim dos remédios para concentração

O lado bom e o ruim dos remédios para concentração



Dados recentes da Anvisa mostram que houve crescimento significativo nas vendas dos dois principais medicamentos de concentração. Na comparação dos primeiros semestres de 2023 e 2024, o aumento chega a mais de 90%

No Brasil, o aumento nas vendas de medicamentos pode estar relacionado à melhoria nas investigações para diagnosticar casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Não muito tempo atrás, o problema estava principalmente relacionado a crianças com dificuldades escolares. Contudo, atualmente, adultos Aqueles que identificam alterações persistentes na desatenção procuram ajuda especializada e passam a usar medicamentos para controlar os sintomas e, consequentemente, obter melhor qualidade de vida.

Na situação relacionada ao TDAH, o próprio diagnóstico de déficit de atenção estabelece um limite do que é socialmente aceitável ou não quando se trata de concentração. Contudo, existem outros dois fenômenos importantes que afetam a sociedade contemporânea e podem explicar o aumento do uso desses medicamentos. São situações que requerem uma análise cuidadosa: cansaço constante populacional e o imposição social que todos devem ter o mesmo nível de produtividade.

Quanto ao primeiro fenómeno, vivemos atualmente numa sociedade repleta de estímulos e sobrecarregada de exigências. Devido aos excessos, o uso de medicamentos que aumentam a sensação de concentração e disposição são considerados benéficos, pois dão a sensação de melhora no desempenho e minimizam a sensação de insuficiência.

Esta situação contribui e incentiva a existência do segundo fenómeno, que é a imposição social de que todos devem ter o mesmo nível de produtividade. E, com a disponibilidade de medicamentos para aumentar a concentração, a demanda por “entregas” – como são chamados os “resultados positivos” no mundo corporativo – torna-se cada vez mais persistente.

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De qualquer forma, a situação é preocupantepois está relacionado à administração de medicamentos que causam dependência. E, em alguns casos, seu uso é feito sem recomendação médica e para recreação. Portanto, o debate cuidadoso sobre esse assunto é essencial para superar problemas evitáveis.

Escalando

Ao analisar os dados da Anvisa é possível perceber que, ao comparar os primeiros semestres de 2023 e 2024, os números brutos de vendas da indústria de medicamentos de concentração como cloridrato de metilfenidato passou de 2.515.781 para 4.520.313. O aumento chega perto de 80% (79,66%). O efeito se repete com o medicamento dimesilato de lisdexanfetamina. No mesmo período, o número passou de 761.103 para 1.499.555, marcando um crescimento de 97%.

Os dois medicamentos para concentração são da classe anfetamina podendo gerar a necessidade de uso constante. Entre os motivos desse desejo de consumir estão as sensações positivas decorrentes do aumento da produtividade e do bem-estar psicológico que proporcionam.

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Além disso, os medicamentos citados também são prescritos para dependência química e “depressão refratária” – quadro depressivo de difícil tratamento – e perda de peso. Nesse caso, a perda de peso é observada como um resultado “off-label”, efeito diferente do descrito na bula.

Portanto, o aumento nas vendas de medicamentos concentrados sinaliza um padrão ambíguo. Ao mesmo tempo que temos indivíduos com alterações na atenção e mais adaptados à sensação de serem produtivos, temos também a manutenção do que seria o nível ideal de concentração e, consequentemente, a imposição de um padrão de produtividade.

É importante destacar que o aumento das vendas no setor de medicamentos de atenção indica que cada vez mais pessoas com alterações de concentração buscam atingir seu melhor potencial e superar suas limitações. Por outro lado, mostra também que, enquanto sociedade, estamos a exigir mais compromissos, que nem sempre são benéficos para o indivíduo, sejam eles relacionados com o trabalho, o estudo ou a estética.

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*Maria Júlia Francischetto é psiquiatra do Hospital do Servidor Público Estadual, mestre em Ciências da Saúde pela Santa Casa de São Paulo e membro do The Collaborating Center of Values ​​– Based Center (St. Catherine’s College – Oxford )

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