Especialistas apontam riscos no excesso do autocuidado para crianças – Jornal Estado de Minas

Especialistas apontam riscos no excesso do autocuidado para crianças – Jornal Estado de Minas


A indústria de produtos para a pele cresceu 40,8% no Brasil entre 2016 e 2021, segundo dados da Euromonitor International. A expectativa é que o mercado de beleza tenha um crescimento médio anual de 5,7% até 2025. A mesma pesquisa mostra que o país se tornou o quarto maior mercado desse segmento, atrás de Estados Unidos, China e Japão.

As métricas representam um segmento novo e rentável no mercado: o Skincare, que nada mais é do que manter a pele saudável, limpa e com aspecto em dia. Entre os cuidados estão o uso de sabonetes com ácidos, tônicos e princípios ativos para reduzir manchas e linhas de expressão. O cuidado vai além se for usada maquiagem. Porém, o hábito era limitado aos interessados ​​em manter a pele jovem. Agora, adolescentes entre oito e 15 anos fazem parte do público que promove esse mercado.

Liz Macedo, 14 anos; Sofia Schaadt, 13 anos; e Antonela Braga, de 14 anos, são algumas das jovens influenciadoras que fazem sucesso ao mostrar sua rotina de preparação para sair. Dos cuidados matinais à maquiagem – o chamado “Get Ready With Me (GRWM)” – prepare-se comigo, se torna a maioria das grades de vídeos dos adolescentes.

Maythê Quintairos de Barros, 12 anos, é apenas um dos mais de oito milhões de seguidores que os produtores de conteúdo reúnem em suas redes sociais. “Esses três influenciadores estão em destaque nas redes. Eles compram muitas coisas na Sephora, como produtos Drunk Elephant. A maioria dos produtos é importada, pois não é vendida aqui no Brasil. Então eles viajam e compram ou as marcas enviam como recebidos. Mas eles também usam produtos brasileiros, como o Creamy”, explica.

Recentemente, Liz Macedo recebeu produtos da marca Creamy. A caixa continha protetor solar, emulsão de limpeza, creme calmante (hidratante), ácido mandélico e ácido salicílico. Além das ‘mimos’, fruto de uma parceria com a marca, a adolescente também recebeu um cupom para distribuir entre seus seguidores. Em um de seus vídeos, Sofia Schaadt, faz o GRWM para ir à escola e usa água termal da La Roche Posay, toner facial, hidratante da Cremy, que também tem cupom de desconto, primer, base, corretivo, blush, compacto pó, fixador, brilho etc.

Elisete Crocco, coordenadora do departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca que crianças e adolescentes estão sendo bombardeados com informações nas redes sociais. Muitas vezes em perfis de vendas sedutores desses produtos. “A grande questão que nos preocupa é o facto de as raparigas utilizarem estes produtos sob a orientação de raparigas mais velhas ou de bloggers que promovem nomes de produtos, e muitas vezes são pagas para o fazer.”

Sofia Botelho, de 13 anos, difere desse cenário, a mineira de Montes Claros compartilha sua paixão por moda, maquiagem e estilo em seu perfil no Instagram – que tem mais de 12 mil seguidores e é administrado pela mãe, Michelle Botelho. A adolescente diz que é apaixonada por maquiagem e Michelle explica que nunca houve incentivo para ela se maquiar, mas que com o tempo ela passou a respeitar o interesse da filha e passou a assumir a missão de instruir e falar sobre a importância de cuidados com a pele. .

“Todos os produtos que ela usa, sejam comprados ou recebidos, passam primeiro pela minha avaliação e dependendo, até peço orientação dermatológica. Valorizamos muito a origem do produto, além de priorizar produtos que sejam referência para a idade dela”, destaca Michelle.

Seguidora de blogueiras, como Lelé Burnier, Ju Leme, Mari Maria, Yster Santos, Jordana Vucetic e Fran Ehlke, Sofia deixa claro que gosta de tudo que envolve moda. “Eu amo, produzo e me cuido. Durante a pandemia comecei a produzir material para redes sociais, até tentei começar com outros conteúdos, mas não teve jeito, fazer maquiagem é minha grande paixão”, pontua.

‘Resolvi incentivar você a dar o seu melhor, mas é fundamental se dedicar ao que você ama e respeitar o tempo, sem atropelar as etapas da vida’, diz Michelle Botelho

Arquivo pessoal

“Maquiagem e moda sempre conquistaram minha admiração. Desde muito jovem adorava ver minha mãe se arrumando.” -Sofia Botelho

A enfermeira Juliana é mãe de Luísa, de 10 anos, e acompanha de perto a paixão da filha pelo autocuidado. “Prefiro marcas infantis e sempre peço recomendação do médico na hora de escolher os produtos. Ela ainda não tem acne, [o uso] É mais uma questão de prevenção e higiene.”

Da mesma forma, ele monitora o acesso da filha às redes sociais. “Durante o horário escolar, ela só usa o celular nos finais de semana. Nas férias deixo mais livre, mas monitoro.”

Além dos blogueiros, o acesso a esses produtos é fácil e às vezes barato. Ó Estado de Minas encontrou propagandas de kits direcionados ao público infantil contendo oito produtos no valor de 109,99 (foto abaixo). “Não é possível, em hipótese alguma, que essa população utilize produtos antienvelhecimento que contenham ácidos, como ácido retinóico, salicílico e glicólico, pois possuem pele sensível”, destaca Elisete.

Porém, a responsabilidade não deve recair apenas sobre as crianças, cabendo aos pais ou responsáveis ​​participar e monitorar o interesse e os hábitos nestes produtos. Adriana Pereira Quintairos, 54 anos, é mãe de Maythê e conta a luta para controlar o consumo da filha e o fascínio por produtos cada vez mais atrativos. “Acho que a mãe tem que ter cuidado. Por exemplo, ela já pediu um esfoliante, um produto que consegue tirar uma barreira natural e gerar consequência, mesmo importado, onde o preço é menor, não acredito que isso seja focado na pele infantil”, destaca.

O caso não é incomum, Elisete relata que as jovens já chegam aos escritórios com os nomes das marcas citadas pelas blogueiras. Portanto, diante desse comportamento cada vez mais comum, a orientação de um especialista é fundamental, assim como a compreensão dos pais sobre a situação. “Nossa recomendação é para produtos com perfis de hidratação e marcas reconhecidas que tenham evidências de segurança. A prescrição deve ser de um dermatologista, pois alguns já apresentam sintomas de acne na adolescência, para que possamos orientar os cuidados corretos com isso em mente.” afirma a dermatologista que ressalta: “se a menina tiver esse desejo, leve-a ao dermatologista, ela receberá as orientações corretas para que não tenhamos danos, como eczema ou manchas”.

“O mais importante é que os pais não permitam que essas crianças os usem indiscriminadamente simplesmente porque ‘querem’ ou para usar produtos para adultos.” – Elisete Crocco, coordenadora do departamento de Cosmética da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Desejo de pertencer

O psicólogo clínico João Víctor de Pádua afirma que os pais devem estar abertos ao diálogo, ouvindo as preocupações dos filhos sem julgamentos. “É importante ensiná-los a ser críticos em relação ao que veem nas redes sociais, ajudando-os a compreender que muitas vezes estas imagens são editadas e não refletem a realidade. As crianças também precisam ser ensinadas a desenvolver a autoestima em características intrínsecas, como habilidades e conquistas, em vez de depender apenas da aparência física para se sentirem valorizadas”, destacou.

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“Os pré-adolescentes e os jovens adultos, movidos pela necessidade de se enquadrarem nos padrões de beleza das redes sociais, podem sentir uma pressão ainda maior para adotar rotinas de cuidados de pele cada vez mais elaboradas e arriscadas.” – João Vitor de Pádua, psicólogo clínico

Mães e filhas

‘A maior parte dos produtos é importada, pois não é vendida aqui no Brasil. Então eles viajam e compram ou as marcas mandam como recebidos’, diz Maythê Quintairos

Arquivo pessoal

O especialista classificou a mania dos cuidados com a pele entre crianças e adolescentes como “uma fase de maior vulnerabilidade em relação à autoimagem”, considerando os efeitos do isolamento social durante a pandemia para a faixa etária. “A socialização e a identificação com outros jovens desempenham um papel fundamental na formação da identidade dos pré-adolescentes. Durante a pandemia, com restrições ao convívio presencial, os pré-adolescentes tiveram que recorrer ainda mais às redes sociais para se conectarem com os seus pares, aumentando a sua exposição aos já conhecidos efeitos secundários do uso excessivo destas plataformas”, explicou.

Ó Estado de Minas entrou em contato com a marca Creamy para esclarecer o uso de produtos para a pele por adolescentes. Confira as respostas do head de Marketing da marca, Felipe Cercal:

Qual o perfil do público-alvo da Creamy e como você identifica as necessidades específicas desse público?

O público-alvo da Creamy é formado principalmente por pessoas que buscam uma rotina de cuidados com a pele personalizada e eficaz, com foco em dermocosméticos tecnológicos e inovadores. Nosso principal público são mulheres de 18 a 40 anos, mas com destaque especial para jovens adultos que buscam soluções para problemas específicos de pele, como acne, manchas, prevenção de envelhecimento e oleosidade. Identificamos as necessidades deste público através de pesquisas de mercado, feedback direto dos clientes, análise de tendências de cuidados com a pele e colaborações com dermatologistas e especialistas em cuidados com a pele. Além disso, monitoramos constantemente as mídias sociais e analisamos as plataformas para entender melhor as expectativas e experiências de nossos consumidores.

A Creamy desenvolve produtos específicos para crianças e adolescentes? Em caso afirmativo, com que idade estes produtos são recomendados?

Atualmente a Creamy não desenvolve produtos voltados especificamente para crianças e adolescentes. Porém, temos produtos que podem ser usados ​​a partir dos 6 meses de idade, como os hidratantes Creme Calmante, Creme Corporal Calmante e Reparação Intensiva – todos com testes de aceitabilidade pediátrica. Recomendamos que os adolescentes maiores de 14 anos que tenham interesse em começar a tratar a pele estejam sempre acompanhados de seus responsáveis ​​e sob a orientação de um dermatologista em suas decisões. Sempre focando na saúde da pele e não apenas em questões puramente estéticas.

Quais os principais ingredientes e processos utilizados na formulação de produtos destinados a crianças e adolescentes?

As categorias do nosso portfólio, como produtos de limpeza facial, hidratantes e protetores solares, geralmente apresentam fórmulas mais adequadas para peles mais jovens. Porém, é fundamental o acompanhamento de um dermatologista e realizar uma avaliação detalhada de cada tipo de pele e seus objetivos dermatológicos.

Que medidas a Creamy toma para garantir que seus produtos não agridam a pele sensível de crianças e adolescentes?

Para garantir que os nossos produtos não causam danos à pele sensível, tomamos diversas medidas:

1. Orientação Profissional: Recomendamos que os adolescentes utilizem nossos produtos somente sob orientação de um dermatologista e supervisão dos pais, principalmente quando começarem a usar ácidos e outros princípios ativos potentes.

2. Fórmulas minimalistas: Nossas fórmulas são projetadas para serem minimalistas, contendo apenas os ingredientes essenciais para maximizar a eficácia e minimizar o risco de irritação. Nenhuma fórmula de tratamento possui fragrância, por exemplo. Evitando possibilidades de irritação da pele.

3. Testes Dermatológicos: Todos os nossos produtos passam por rigorosos testes dermatológicos para garantir sua segurança e eficácia.

4. Ingredientes calmantes: incorporamos ingredientes como alantoína, alfa-bisabolol, hipskin que ajudam a acalmar e hidratar a pele, proporcionando conforto e minimizando a vermelhidão.

Estas medidas refletem o nosso compromisso em oferecer dermocosméticos de alta qualidade, seguros e eficazes a todos os nossos consumidores, incluindo os mais jovens.

*Estagiários sob supervisão da editora Ellen Cristie



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