Ronnie Lessa confessa assassinato de Marielle Franco e diz que poderia lucrar R$ 100 milhões com crime


O apelo do ex-PM foi aprovado pelo ministro Alexandre de Moraes

Foto: Reprodução de TV

O apelo do ex-PM foi aprovado pelo ministro Alexandre de Moraes. (Foto: Reprodução TV)

O ex-policial militar Ronnie Lessa confessou os assassinatos da ex-vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes em depoimento à polícia. As informações são da TV Globo.

Segundo Lessa, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão ofereceram a ele e a um de seus associados, conhecido como Macalé (também ex-PM Edmilson de Oliveira, assassinado em 2021), um loteamento clandestino na Zona Oeste do Rio de Janeiro como forma de pagamento . pela morte de Marielle.

“Havia muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões, o que na verdade soma. R$ 100 milhões seriam o lucro do loteamento. São 500 lotes de cada lado. Na época custaria mais de US$ 20 milhões”, disse Lessa.

“Foi um impacto. Ninguém recebe US$ 10 milhões simplesmente por matar uma pessoa”, continuou ela.

Segundo Lessa, no loteamento clandestino haveria serviços como “gatonet” (TV pirata), venda de gás e transporte para os moradores. Em seu depoimento, Lessa apontou os irmãos Domingos Brazão, assessor do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, deputado federal, como os responsáveis ​​pelos assassinatos de Marielle e Anderson.

“Então, na verdade, não fui contratado para matar Marielle, como um assassino contratado. Não, fui chamado para uma sociedade”, declarou Lessa.

Segundo Lessa, ele se encontrou três vezes com Domingos e Chiquinho Brazão em uma avenida da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Nessas reuniões, os irmãos falaram sobre a motivação para assassinar o vereador, segundo o ex-PM.

A Polícia Federal (PF) não conseguiu comprovar que as reuniões realmente ocorreram, segundo reportagem do Fantástico.

“Marielle foi colocada como uma ‘pedra no caminho’. Ela teria convocado algumas reuniões ou uma reunião com vários líderes comunitários, se não me engano, no bairro de Vargem Grande ou Vargem Pequena, em Jacarepaguá, justamente para conversar sobre essa situação, para que não houvesse adesão de novos subdivisões da milícia.”

“Foi o que Domingos nos disse: ‘Marielle vai atrapalhar e nós vamos acompanhar. Para isso ela tem que sair do caminho’”, acrescentou Lessa, citando Domingos Brazão.

Lessa não foi condenado, mas está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde dezembro de 2020.

O pedido do ex-PM foi aprovado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano.