Boulos pede e conselho adia votação de Janones por suspeita de ‘rachadinha’



A pedido de Guilherme Boulos (PSOL-SP), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (28) a votação do parecer do deputado do PSOL que propõe o arquivamento da representação contra André Janones (Avante-MG) por suspeita da prática da “rachadinha”.

Segundo o presidente do Conselho, Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), Boulos ligou para ele informando que só chegará a Brasília por volta das 18h. A votação do relatório foi então adiada para a próxima semana.

Tanto Boulos quanto Janones são aliados do presidente Lula (PT). O primeiro é o seu candidato a prefeito de São Paulo. O segundo fez parte da linha de frente de sua campanha eleitoral digital em 2022. O voto de Boulos a favor de Janones gerou insatisfação dentro da própria bancada do PSOL, pois contraria posições que o partido normalmente adota no Congresso.

As suspeitas contra Janones tornaram-se públicas depois que o site Metrópoles revelou áudio de 2019 em que ele, em seu primeiro mandato como deputado, informava assessores que teriam que devolver parte de seus salários para ajudar a reconstruir seu patrimônio dilapidado na fracassada eleição de 2016. Na votação, Boulos deturpou uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e usou a declaração do próprio Janones como prova para sugerir que o caso contra seu colega deveria ser arquivado.

Segundo o deputado do PSOL, o deputado do Avante não era parlamentar no dia da gravação, portanto, não se pode falar em quebra de decoro parlamentar. Ao contrário do que diz Boulos em seu voto, o STF não disse que as suspeitas de rachadinha se referem a 2016, mas sim a 2019, já em mandato. O áudio completo da reunião em que Janones foi gravado também indica que ele já havia tomado posse.

No áudio, ele reclama com assessores que vários colegas já apresentaram projetos de lei e ele não ?só deputado pode apresentar projeto? e que também ficaria impotente sobre como proceder na sessão plenária que teria lugar naquela tarde.

A tese apresentada por Boulos para tentar libertar Janones também contradiz o que ele próprio e o PSOL adotaram nos pedidos de impeachment que moveram contra adversários – contra Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado de mandar matar Marielle Franco (PSOL-RJ), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), investigado por suspeita de “rachadinha”, e quatro deputados do PL que teriam incentivado as depredações do 8 de janeiro.

Em todos esses casos, os crimes de que são ou foram acusados ​​referem-se ao período anterior ao seu mandato no Congresso Nacional. Janones nega ter promovido a “rachadinha”, afirmando que pediu contribuições de amigos, que se tornariam seus assessores, para quitar dívidas que ele e esses auxiliares assumiram juntos nas eleições de 2016.

Disse ainda que não considera ilegal sua atitude e que, de qualquer forma, a restituição de parte dos salários dos assessores acabou não ocorrendo devido à assessoria jurídica que recebeu.



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