Denílson comenta condenação por estupro dos amigos Dani Alves e Robinho



Aos 46 anos, Denison de Oliveira carrega consigo títulos impressionantes que o colocam entre os maiores de sua geração. Pentacampeão da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira em 2002, o ex-meio-campista, ainda muito respeitado na Europa, onde atuou no futebol espanhol, é comentarista regular do programa Jogo aberto, da Band, desde 2012. Sua habilidade com as palavras o faz atuar em outras frentes, como palestras motivacionais – caminho natural para vários ex-atletas que se reinventaram após se aposentarem do futebol. Em conversa com a coluna GENTE, após participar como palestrante do Gramado Summit, Denílson comentou a condenação de seus amigos Danilo Alves Isso é Robinho por estupro, a exposição pessoal de Neymar e os casos de racismo sofridos por Vini Júnior.

Qual é o peso de ser exemplo para pessoas de diferentes gerações? Gigante. Inconscientemente, tenho essa responsabilidade desde os 16 anos. Já faz muito tempo que não sei o que é entrar em um lugar sem ser reconhecido! Pelo menos 30 anos. Ter a visão de ser exemplo ficou mais evidente depois que me tornei pai, e aí comecei a me monitorar nas entrevistas, nas histórias que eu contava. Há coisas que eu disse há dez anos que eram engraçadas e hoje não têm mais graça. As crianças despertaram meu interesse em cuidar da minha narrativa, da minha postura.

Como você tem acompanhado casos de racismo no futebol, como os que envolvem Vini Junior na Espanha? Falamos mais sobre racismo, a minha geração não falava sobre isso. O atleta não teve muito acesso ou interesse em falar sobre outros assuntos além do futebol. E o racismo no futebol sempre existiu. Mas não tão falado e combatido como agora. Acho que as pessoas ainda não têm medo de praticar, os racistas não têm medo. Espero que, não num futuro tão distante, eliminemos isto de uma vez por todas.

Você sofreu racismo em campo? No passado, várias vezes. E não repercutiu por vários motivos, inclusive porque não existiam redes sociais. Vini Junior sabe aproveitar isso. Ele é o cara que mais levantou essa bandeira e é quem mais está sofrendo com isso. Ele está mostrando uma personalidade tão forte… No passado não teria tanta gente apoiando ele. Estamos brigando cada vez mais, conversando cada vez mais.

Outros nomes do futebol que têm falado muito ultimamente são Daniel Alves e Robinho, condenados por estupro. Qual é a sua opinião sobre eles? Em primeiro lugar, é uma situação muito grave. Uma vez condenado, você deverá cumprir sua pena. Robinho e Daniel Alves são dois caras que conheço, mas no momento a amizade que tenho por eles não está sendo considerada. Eles cometeram um crime. Eles foram condenados e precisam pagar como qualquer outro cidadão.

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Você conversou com algum deles após a sentença? Não não. Não dá para se sustentar ou se esconder nessa imagem de atleta, de jogador, de pessoa famosa. Este é um exemplo de que a sociedade está atenta. Você cometeu um erro, você tem que pagar. Não há nada para falar. Não há justificativa. Tudo que vivi com eles, amizade, amigos, nesse momento desmorona.

Talvez a próxima barreira que o futebol terá de enfrentar seja a homofobia. Por que o futebol ainda é tão sexista? O futebol ainda é uma bolha sexista, essa é a mais pura verdade. Não é tão flagrante como tem sido a luta contra o racismo, mas ainda é algo que precisamos quebrar e falar com mais naturalidade dentro da bolha do futebol. A sociedade agora aceita isso de uma forma mais natural, mas dentro do futebol ainda existe muito preconceito.

Hoje, tendo que dar sua opinião sobre outros jogadores na TV, você já fez inimigos? Só tem uma história, quando comecei a comentar jogos na Band. Minha última atuação como atleta competitivo foi no Palmeiras, em 2008. Valdivia, Kléber Gladiador e Marcos ainda atuavam como goleiros. Parei de jogar e esses caras continuaram por mais cinco, seis, oito anos. No meu primeiro ano, quando eu ia comentar os jogos do Palmeiras, e os caras estavam jogando muito mal, eu falava ‘não posso dizer que eles estão jogando mal’. Sem qualquer convicção (risada). Mas conversei com jornalistas treinados e confiáveis ​​e encontrei o equilíbrio na narrativa que os jornalistas experientes têm.

Mas você não fez inimigos? O Adriano Imperador ficou chateado comigo, porque terceiros falaram para ele que eu não ia comentar sobre ele, porque ele não estava jogando. Ele teve uma lesão. Aí ele me ligou, me provocando no telefone, dizendo que ia me bater. Passamos meia hora discutindo ao telefone, até que o tom de voz caiu. Só então conversamos como dois adultos.

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O que é preciso hoje para que a Seleção volte a ser respeitada no mundo? Não somos nós que estamos exigindo demais da seleção brasileira? Temos saudades da Seleção Nacional de 94, de 2012, e não entendemos as características que temos hoje como atletas. Os jogadores mudaram. E precisam sentir um pouco mais a Seleção. Em tudo isso, a rede social é a grande culpada. Como cada um fala o que quer, as críticas são pesadas. O cara que recebe as críticas hoje está desmotivado. Tivemos que mudar nossa perspectiva.

Neymar seria vítima disso? Acho que essa coisa de celebridade o machuca, porque ele poderia tomar decisões diferentes. Você vira exemplo de comportamento, sempre tem alguém te acompanhando, te seguindo. Neymar também deveria ter esse discernimento. Hoje tudo o que ele faz repercute, para o bem ou para o mal. Ele faz um trabalho social maravilhoso, mas o que emerge são os erros. O engajamento hoje, nas redes sociais, é a má notícia. É uma vergonha.

Você já pensou em seguir carreira política, como fez Romário? Ele esquece! Eu no meio da política? Ele esquece. Recebo um convite direto, em Diadema, na minha cidade. Eu falo: ‘gente, desculpe, não dá’. Vou entrar num ninho de cobra e ser mordido. Para não vivenciar isso, prefiro realizar minhas ações pessoais. A política é um mundo muito contraditório e complicado.

Como você lidou com o envelhecimento e a saída do campo? Lidei muito mal com isso, parei a carreira muito cedo, aos 30 anos, por causa de uma lesão no joelho. Hoje as pessoas jogam um pouco mais, até os 40 anos. Eu tinha planejado jogar até os 35. Parei cedo, foi terrível, uma decisão que tive que tomar da noite para o dia. Eu estava no meu melhor.

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