teor já subiu para 14% e ameaça motores


Diesel já foi o combustível que mais aumentou em setembro
Foto: Diesel já foi o combustível que mais aumentou em setembro

O percentual de biodiesel misturado ao óleo diesel passou de 12% para 14% neste mês. A decisão de antecipar o cronograma de aumento da mistura foi tomada em dezembro de 2023, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE): inicialmente, a previsão era utilizar o biodiesel tipo B14 apenas em 2025. E, apesar dos possíveis ganhos ambientais, isso A notícia é ruim para os proprietários de veículos que utilizam esse combustível, como caminhões, ônibus, jipes e picapes.

Isso porque, a partir de 2019, o Brasil já havia começado a adotar teores maiores de biodiesel no óleo diesel convencional: chegou a 13% em 2021, mas, nesse mesmo ano, o governo decidiu fixar novamente a alíquota máxima de apenas 10% . . A razão é que surgiram vários relatos de avarias em veículos movidos a este combustível. Em alguns casos, ônibus e caminhões param por conta própria quando estão totalmente operacionais nas rodovias. Boris Feldman já explicou esse assunto em vídeo: assista!

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) já manifestou, em nota, grande preocupação com o novo aumento do percentual de biodiesel à base de éster em relação ao diesel. A entidade destaca que esse aumento terá consequências na operação dos veículos. Consequentemente, poderão ocorrer impactos económicos, ambientais e de segurança em toda a cadeia de transporte e logística do país.

A CNT também citou estudo da Universidade de Brasília (UnB), que mostra que um aumento no percentual de biodiesel de 7% aumenta as emissões de CO2 e reduz a potência dos motores. Isto, consequentemente, provoca um aumento no consumo de diesel e impacta na necessidade de maiores importações deste combustível, comprometendo a segurança energética nacional.

Qual é a solução?

Segundo a CNT, o ideal é adotar uma mistura de apenas 7% de biodiesel, como ocorre na Europa. A entidade admite a possibilidade de aumentar esse percentual, mas, neste caso, utilizando outro tipo de biocombustível: o HVO (sigla em inglês para óleo vegetal hidratado), mais conhecido como diesel verde), que é mais avançado e não causa problemas mecânicos , em vez de usar biodiesel à base de éster.

A diferença é que, enquanto o biodiesel é uma mistura de ésteres de ácidos graxos, obtidos a partir de óleos vegetais e gorduras animais, o HVO é composto majoritariamente por hidrocarbonetos parafínicos. O resultado é que o diesel verde é de maior qualidade, pois é quimicamente semelhante ao diesel similar e, portanto, pode até ser utilizado na sua forma pura, conhecida como R100.

Governo defende biodiesel

Dois tanques, com a logomarca da Petrobras, da primeira usina de biodiesel do Brasil, localizada nos arredores de Salvador, Bahia

Primeira planta de biodiesel do Brasil, localizada na periferia de Salvador (BA), entrou em operação em 2008
Foto: Cleriston Santana/Agência Petrobras de Notícias

Em 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que o aumento do teor de biodiesel deverá evitar a emissão de cinco milhões de toneladas de CO² na atmosfera e reduzir a importação de combustíveis fósseis. O ministério também projeta que os gastos com importação de combustíveis fósseis poderão ser reduzidos em R$ 7,2 bilhões e as usinas instaladas deverão recuperar a capacidade ociosa de produção.

Além da descarbonização, o modelo traz benefícios para a segurança energética brasileira, pois economiza a importação de 2 bilhões de litros de diesel, aponta o Ministério de Minas e Energia (MME). O Ministério de Minas e Energia estima que, para garantir o aumento do biodiesel, a demanda por matéria-prima deve aumentar, especialmente pela soja, em torno de 6 milhões de toneladas de grãos até 2025, quando será adotado o B15.

Com Agência Brasil




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