Lula diz ter ficado “nervoso” com o preço do arroz nos supermercados


O governo liberou mais 6,7 bilhões para importar o produto e conter o aumento causado pelas enchentes no RS. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no último sábado (25) que ficou “nervoso” ao ver o preço do arroz no supermercado durante a semana. Ele comentou a decisão de permitir a importação de grãos, após as enchentes no Rio Grande do Sul prejudicarem grande parte da colheita e o transporte da parcela já colhida.

O governo tomou uma série de medidas para evitar o desabastecimento, como importar um milhão de toneladas de alimentos, eliminar impostos de importação e liberar R$ 6,7 bilhões em crédito extraordinário para comprar arroz no exterior.

“Esta semana fiquei um pouco nervoso, porque vi que o preço do arroz estava muito caro no supermercado. Fiquei um pouco irritado, porque o preço do arroz, em pacote de 5 kg, em um supermercado era R$ 36. Em outro, era R$ 33”, disse Lula durante cerimônia de inauguração de duas obras na Via Dutra, em Guarulhos. , São Paulo.

O presidente disse que convocou o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o ministro Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, para discutir as medidas.

“Arroz com feijão é algo que nós, brasileiros, não conhecemos e não queremos abrir mão. Portanto, tem que ser a um preço que as pessoas mais humildes e trabalhadoras possam comprar. Por isso tomamos a decisão de importar um milhão de toneladas de arroz, para podermos equilibrar o preço do arroz neste país”, disse Lula.

Medida Provisória

Na última sexta-feira, o governo editou medida provisória destinando R$ 6,7 bilhões à importação de arroz beneficiado por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o Planalto, os estoques adquiridos serão destinados à venda direta em feiras livres, supermercados, cash and carry e outros estabelecimentos comerciais com rede de pontos de venda nas regiões metropolitanas do Rio Grande do Sul.

O presidente também citou a medida assinada pelo governo na última segunda-feira (20), que zerou a tarifa de importação de arroz para garantir o abastecimento. A mudança nos impostos é válida até 31 de dezembro deste ano.

Especulação

O chefe do Executivo também mencionou que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assinou a redução dos impostos sobre importações. “Para o arroz chegar aqui mais barato, e podemos garantir que não vai faltar arroz na mesa das crianças, na merenda escolar e, muito menos, na casa das pessoas”, enfatizou.

Embora o governo e entidades ligadas aos produtores afirmem que não há risco de escassez de alimentos, a especulação devido à situação do Rio Grande do Sul levou a um aumento médio de 6% nos supermercados, segundo estudo realizado pela consultoria Horus.