Congresso derruba calendário para pagamento de emendas parlamentares


O governo Lula também argumentou que a medida iria contra a separação dos Poderes.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O governo Lula também argumentou que a medida iria contra a separação dos Poderes. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O Congresso Nacional manteve, em sessão conjunta desta terça-feira (28), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano que previam calendário para pagamento de emendas parlamentares.

A votação contou com 244 votos dos deputados para derrubar o veto, pouco abaixo dos 257 votos que seriam necessários. Se o número fosse alcançado, também seria necessário obter 41 votos dos senadores. Os dispositivos, agora derrubados definitivamente, previam prazos para o comprometimento (reserva) e para o pagamento integral de dois tipos de alterações: bancadas individuais e estaduais.

Essas duas categorias de recursos indicadas por deputados e senadores são chamadas de obrigatórias —ou seja, o governo é obrigado a pagar.

Embora obrigatório, atualmente não há prazo para o governo pagar. Na prática, o Palácio do Planalto tem mais liberdade e opta por liberar a votação às vésperas de votações importantes, como forma de negociação.

O calendário para pagamento das alterações tributárias havia sido incluído pelo relator da LDO 2024, deputado Danilo Forte (União-CE). O dispositivo foi aprovado pelo Congresso em dezembro passado, mas acabou vetado por Lula em janeiro deste ano.

Na época, Forte argumentou que o cronograma garantiria “previsibilidade” e reduziria a “questão política” no pagamento dos recursos. A medida está alinhada ao calendário apertado e ao desembolso para fortalecer aliados devido às eleições municipais deste ano.

A derrubada definitiva do calendário é uma vitória do governo. Segundo o Planalto, o cronograma “afetaria diretamente a gestão da execução orçamentária e financeira do Poder Executivo federal sem previsão constitucional expressa”.

O governo Lula também argumentou que a medida iria contra a separação dos Poderes.