12/10/2024 – 17:26
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Seminário da Comissão de Educação debateu o tema
Participantes de seminário na Câmara dos Deputados sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE) defenderam nesta terça-feira (10) que a nova lei deveria dar prioridade à educação infantil. Segundo os especialistas entrevistados, as competências desenvolvidas na creche e na pré-escola são decisivas para a trajetória acadêmica do aluno.
O novo PNE deve ser aprovado pelo Congresso até o final do ano que vem e terá validade de dez anos. O governo já encaminhou o Projeto de Lei 2.614/24, sobre o tema. O texto em análise pela Câmara prevê 18 objetivos nas áreas da educação infantil, alfabetização, ensino básico e secundário, educação integral, diversidade e inclusão, educação profissional e tecnológica, ensino superior, estrutura e funcionamento do ensino básico.
Ex-secretário de Alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim destacou que, ao longo da educação infantil, as crianças precisam desenvolver habilidades consideradas precursoras da leitura e da escrita. Entre essas habilidades, segundo o ex-secretário, estão o conhecimento de letras, a compreensão da linguagem oral e o reconhecimento de palavras.
Nadalim também considera essencial que as crianças sejam alfabetizadas no primeiro ano do ensino primário. “Há pesquisas que mostram que quando as crianças não aprendem a ler conforme o esperado no primeiro ano do ensino fundamental, há uma probabilidade de que 90% a 95% delas continuem com baixo desempenho no terceiro e quarto anos do ensino fundamental , e 70% a 75% deles têm sua trajetória educacional comprometida.”
O seminário foi realizado a pedido do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), presidente da Comissão de Educação. Na visão do parlamentar, o novo plano precisa ser “um divisor de águas” para melhorar a qualidade da educação brasileira. “Isso significa preparar as nossas crianças desde a educação infantil, garantindo que sejam alfabetizadas a tempo e que tenham acesso ao ensino primário e secundário que as prepare para um futuro de oportunidades reais.”
O atual PNE, válido até o final de 2025, prevê a alfabetização de todas as crianças até o final do 3º ano do ensino fundamental.
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Beatriz Abuchaim sugeriu busca ativa de crianças fora da creche nas famílias cadastradas no CadÚnico
Metas
O atual PNE determina que o Brasil deverá ter garantido, até 2016, o acesso à creche para pelo menos metade das crianças até 3 anos. Até o momento, a meta não foi cumprida. Atualmente, as creches atendem cerca de 38% das crianças.
No novo projeto de lei do plano, a nova meta é atender 60% da demanda nos próximos dez anos.
Para os participantes do seminário, porém, esta proposta deveria ser alterada. Na opinião da gerente de Políticas Públicas da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Beatriz Abuchaim, por exemplo, a meta deveria ser variável.
Segundo o especialista, há municípios com uma procura de vagas muito menor, enquanto para outros a oferta não será suficiente. Para ela, uma boa solução seria prever que em cinco anos, pelo menos, 70% da demanda por vagas em creches será atendida, e aumentar esse percentual para 90% em dez anos. A demanda manifesta, conforme explicou, refere-se à busca efetiva por parte das famílias por um lugar.
Desigualdades
A gestora de políticas públicas do Todos pela Educação, Manoela Miranda, destacou a necessidade de reduzir as desigualdades no acesso à educação infantil. Embora, em média, o país sirva 38% das crianças, entre os 20% mais ricos da população este número sobe para 56%. No outro extremo, dos 20% mais pobres, a taxa cai para 31%. Isso significa uma diferença de 25 pontos percentuais.
O novo projeto de lei do PNE prevê a redução dessa diferença de acesso entre grupos sociais para no máximo 10 pontos percentuais. Os participantes do debate defenderam medidas como busca ativa de filhos e prioridade da população de baixa renda no acesso às vagas.
Qualidade
Outra demanda dos participantes do seminário foi o estabelecimento de critérios de qualidade também para a educação infantil. Segundo Beatriz Abuchaim, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) avalia apenas a infraestrutura de creches e pré-escolas.
Para Manoela Miranda, seria importante estabelecer metas específicas de qualidade, com critérios claros e mensuráveis para atingir os objetivos. O especialista defendeu ainda a realização de um inquérito nacional à qualidade da educação infantil para estabelecer uma linha a partir da qual se possa avaliar a evolução da qualidade da educação.
Reportagem -Maria Neves
Edição – Georgia Moraes
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