Andrea DiP e Mariama Correia
Agência pública
Um plano golpista para assassinar o presidente, seu vice e um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sido arquitetado pelos militares e, aparentemente, com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A trama revelada pela Polícia Federal (PF) representa “um dos momentos mais tensos da história recente da República”, segundo o historiador Francisco Teixeira. Em entrevista à Agência Pública, Teixeira, que é professor emérito do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) e professor de história moderna e contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisa os acontecimentos que levaram à fracassada tentativa de golpe e diz “que o país corria grande risco de perder a democracia”. Para ele, o esquecimento ou as tentativas de apagar a história abrem caminho para o “retorno das tentativas de golpe”.
Em janeiro de 2023, tivemos atos terroristas no Planalto. Há poucos dias, presenciamos um homem-bomba se suicidar, no que poderia ter sido um atentado ao STF. Nessa trama golpista, deflagrada pela PF, havia planos de assassinato, com assassinato do presidente, do vice-presidente e de um membro do Supremo. Estaremos presenciando um processo de naturalização da violência, de atos terroristas e de tentativas de golpe?
Aparentemente temos uma situação muito complexa em relação à política em geral no Brasil.
Sempre foi uma questão fundamental para os partidos políticos, especialmente os da esquerda mais progressista, questões como a educação, a saúde, a alimentação, os transportes e o emprego estiveram na ordem do dia. Há mais de 10 anos, a direita chegou à política brasileira, subvertendo completamente essa agenda e introduzindo uma agenda única de segurança pública, inclusive criando meios de agitação e propaganda nas redes sociais.
O Rio de Janeiro foi descrito como terra de ninguém. No índice de violência das cidades brasileiras, o Rio de Janeiro está em oitavo lugar. Existem diversas outras cidades à frente do Rio de Janeiro, mas há uma campanha pela ressonância do Rio de Janeiro nesse sentido. Em termos globais, o México é muito mais violento e brutal que o Brasil. Mas isso não se demonstra e este tipo de guerra subversiva adversa é levada a cabo para criar um desajuste que permita dar um golpe de Estado e projectar o direito ao poder.
Todo este processo banaliza a violência e diz que a República não tem competência para estabelecer a ordem e que precisa de uma força. Cria-se essa confusão entre a missão policial e a missão de defesa e confunde as duas coisas nesse sentido, resultando na intervenção federal do Rio de Janeiro, que não resultou em nada. Pelo contrário, a violência aumentou. A morte de Marielle Franco e Anderson foi durante a intervenção federal, realizada pelo próprio Braga Netto [ex-ministro da Defesa] naquele momento.
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De certa forma, muitos de nós sentimos falta do discurso enérgico de Lula. Talvez ir à televisão nacional dizendo que ele quase foi morto, que milhões de votos teriam sido desrespeitados, milhões de pessoas que fizeram sua escolha eleitoral sobre ele teriam sido desrespeitadas, caso ele fosse assassinado. Na sua análise, você acha que falta uma declaração do presidente? Como vocês viram a postura do governo federal diante dessas acusações que agora saíram, é possível ficar calado numa crise como essa?
Ele tem a mentalidade de virar a página da história. Acontece que esta página não está escrita, estamos virando uma página em branco na história. E isso reforça a impunidade. É evidente que neste ano de 2024, Lula se recusou a comemorar a vitória sobre o golpe de 8 de janeiro de 2023 e se recusou a comemorar, a relembrar a tragédia de 31 de março de 64. Ou seja, explicar as diferenças populacionais, explicar como a democracia obras, mobilizar pessoas. Estamos despolitizando a política, transformando-a em uma questão de voto no Congresso, de quem tem voto e de quem não tem voto, e assim perdendo o caráter pedagógico da ação política. O que é muito grave, porque a extrema direita está usando de tudo para entrar na cabeça dos cidadãos brasileiros. Acrescentaria outro ponto que também é fundamental: o facto de o governo ter defendido uma reforma do ensino secundário que reduza brutalmente as aulas de história e elimine a sociologia e a filosofia. Como vamos formar cidadania se um governo que se diz patrono de Paulo Freire recebe aulas de história, filosofia e sociologia com crianças?
Durante o governo Bolsonaro, testemunhamos as celebrações de grupos conservadores, incluindo civis e militares, que celebraram o golpe de Estado de 1964 e a instituição da ditadura cívico-militar no Brasil. Ele mesmo defendeu e defende a ditadura e seus torturadores, como Carlos Alberto Brilhante Ustra, por exemplo, e o Estado brasileiro gasta mais de R$ 1,8 milhão por ano no pagamento de pensões a militares ou seus dependentes. Qual é a relação entre a amnistia, a falta de justiça transicional e as suas consequências e as intenções golpistas que vemos hoje? Onde tudo isso vai acabar?
Desde o início do governo [Lula] que o General Gonçalves Dias [ex-ministro do GSI] Ele chegou com um documento que, segundo ele, continha cláusulas estritas colocadas pelos militares para o governo cumprir. Isto é um absurdo. Já estava começando a bloquear o governo e isso foi aceito, e gerou o que gerou. Mas é fundamental lembrarmos também que em 2010 o Supremo Tribunal Federal aceitou a lei de anistia de 1979 e agora recorreu a ela.
Essa atitude de esquecimento, de apagar a história, é a principal causa do retorno dessas tentativas golpistas. Quando apago não preciso nem julgar essas pessoas. As Forças Armadas Brasileiras nunca pediram desculpas pelos sequestros, pelas torturas, pelas ocultações de corpos, pelas mortes que causaram tão recentemente. O culto à morte permaneceu nas instituições militares. Começando por essa caveira com uma adaga na cabeça, que é um símbolo fascista italiano, que a Brigada de Forças Especiais tem e o PM BOPE do Rio de Janeiro também tem. Quer dizer, é um processo em que devemos começar a expurgar todo o simbolismo, toda a fraseologia fascista que estas forças incorporaram, e também devemos ter clareza sobre a distinção, o que é a polícia que cuida da segurança dos cidadãos e o que é defesa? , que zela pela soberania nacional na fronteira. No momento em que colocamos o Exército e ligamos para a GLO [Garantia da Lei e da Ordem, medida que permite ao presidente utilizar as Forças Armadas na segurança pública] Para fazer tudo no país, abrimos mão de uma posição republicana e damos força à ideia de que só os militares podem controlar e trazer ordem à República.
“As Forças Armadas Brasileiras nunca pediram desculpas pelas torturas, pela ocultação de cadáveres, pelas mortes que causaram tão recentemente”
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“Existe essa confusão entre a missão policial e a missão de defesa e as duas coisas se confundem nesse sentido, levando à intervenção federal no Rio de Janeiro, que não resultou em nada.”
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Esta entrevista foi produzida pelo órgão público e publicada em parceria com o
Estado de Minas. Leia mais em apublica.org
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