RIO DE JANEIRO, RJ, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O partido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), elegeu 5 dos 9 vereadores de São José da Laje, município de cerca de 24 mil habitantes Distante 100 km de Maceió. Todos receberam recursos do empresário paulista Rubens Ometto.
Maior doador individual de campanhas políticas no país nas últimas quatro eleições, Ometto também ajudou a eleger maioria na Câmara de outro município alagoano, Igreja Nova, a 150 km da capital. Desta vez, com apoio aos candidatos do MDB liderados pelo senador Renan Calheiros e pelo PSB.
A eleição da maioria nas Câmaras Municipais não é privilégio de Ometto. O empresário Erasmo Batistella, por exemplo, apoiou financeiramente 14 dos 21 vereadores eleitos em Passo Fundo (RS), a 300 km de Porto Alegre.
Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) analisados pela Folha, pelo menos outras oito cidades brasileiras encerraram a eleição com “bancadas próprias” de doadores empresariais.
A pesquisa leva em consideração doações que foram feitas por pessoas físicas diretamente a candidatos ao cargo de vereador.
As doações de pessoas físicas são legais e surgiram como alternativa de financiamento de campanha após a proibição de repasses por empresas em 2015. É limitada a 10% da renda declarada pelo doador à Receita Federal, que permite doações milionárias como a de Ometto.
Nas eleições de 2024, segundo o TSE, 25 pessoas doaram mais de R$ 1 milhão – três a mais que em 2020, em valores corrigidos pela inflação. O valor das superdoações, porém, disparou: as 20 maiores totalizaram R$ 71,2 milhões, quase o dobro da eleição municipal anterior.
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Marco Antônio Teixeira, coordenador do mestrado em gestão e políticas públicas da FGV, diz que a disparidade no valor das doações -a Ometto, por exemplo, investiu mais de R$ 19 milhões– torna a concorrência desigual.
“Na verdade, a regra permite que quem tem mais dinheiro tenha mais capacidade de construir apoios e formar as suas bancadas”, afirma. “Como o dinheiro é fundamental para fazer política, quem doa tem acesso privilegiado a quem foi eleito”.
Ometto, por exemplo, além de eleger vereadores em São José da Laje, doou R$ 114 mil para a campanha da prefeita eleita, Vanessa (MDB), o equivalente a um terço de tudo o que o candidato poderia gastar na eleição.
Para os vereadores eleitos, doou R$ 15 mil, dois terços do teto de gastos estipulado pela Justiça Eleitoral. Procurado, o empresário limitou-se a dizer, por meio de sua consultoria, que as doações atendem à legislação vigente.
“O município regulamenta o uso e ocupação do solo. Isso é fundamental para definir se um empresário poderá ter ou não imóvel, ter ou não negócio, construir ou não construir dentro de determinado padrão”, diz Marco Antônio Teixeira .
A Ometto é proprietária do conglomerado Cosan, com atuação nos setores de agronegócio, mineração, transportes e indústrias de combustíveis e gás natural, que não possui atuação direta nem em São José da Laje nem na Igreja Nova. Ambas as cidades, porém, abrigam usinas de açúcar e etanol.
Já a Batistella tem operações sediadas em Passo Fundo. Sua empresa, a Be8, está sediada no município, com uma unidade industrial em operação e planos para uma nova planta de produção de biocombustíveis.
Por meio de sua assessoria, disse apenas que realizou doações eleitorais “de acordo com a legislação vigente” no país e que os repasses são públicos, foram declarados e podem ser consultados no site da Justiça Eleitoral.
Com interesses diretos no potencial construtivo e nos planos diretores municipais, outros dois empresários que ajudaram a eleger vereadores em cidades onde têm negócios são Alex Veríssimo Mendes, em Santos (SP), e Rogério Chor, no Rio de Janeiro – ambos do setor imobiliário .
Dono do Grupo Mendes, o primeiro doou recursos para 7 dos 21 eleitos para a Câmara Municipal de Santos. A segunda, da TGB Imóveis, ajudou a eleger 8 dos 51 vereadores que tomarão posse na Câmara Municipal do Rio em 2025.
Mendes não quis comentar o assunto. Chor disse não esperar benefícios diretos dos candidatos que apoiou – escolhidos, segundo ele, por priorizarem o desenvolvimento econômico da cidade.
Ele concorda que os doadores empresariais podem ter maior acesso aos representantes eleitos do que os cidadãos comuns, mas diz que é natural que pessoas proeminentes nas suas áreas estejam mais próximas do poder de decisão. “Um vereador que trata de cultura, por exemplo, receberá o dono de um teatro”.
“Quando o município incentiva os empreendedores, está beneficiando o cidadão comum. Porque são eles que dão emprego”, argumentou, citando o boom do setor imobiliário no Rio após mudanças nas restrições à construção no centro da zona sul da cidade. . “Hoje falta mão de obra, devido a tanto emprego criado”.
Também empresário do agronegócio, Odílio Balbinotti Filho doou R$ 3,7 milhões a candidatos e comissões partidárias em Rondonópolis (MT), a 220 km de Cuiabá, e ajudou a eleger o prefeito, Cláudio Ferreira de Souza (PL), a quem destinou R$ 540 mil , e 4 dos 21 vereadores eleitos no município.
A cidade abriga sua empresa de sementes, Atto. Balbinotti também foi contatado e não respondeu até a publicação do texto.
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