12/06/2024 – 20:58
Mário Agra/Câmara dos Deputados
Thiaw: “A cada segundo, o mundo perde o equivalente a quatro campos de futebol com solo saudável”
Em 2023, uma em cada quatro pessoas em todo o mundo será afetada por eventos de seca extrema, um aumento de 29% em relação ao ano 2000. Os dados foram apresentados pelo secretário executivo da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), mauritano. Ibrahim Thiaw, durante audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (12).
“A cada segundo, o mundo perde o equivalente a quatro campos de futebol de terras saudáveis devido à destruição da vegetação nativa e à má gestão da terra. Anualmente, isto totaliza 100 milhões de hectares”, disse ele. “Se as tendências actuais continuarem”, acrescentou Thiaw, “precisaremos de restaurar 1,5 mil milhões de hectares de terra até 2030 para atingir o objectivo de neutralidade da degradação da terra. As secas (no mundo) estão ocorrendo mais rapidamente e representam uma emergência sem precedentes em escala planetária.”
Esta emergência agravada pelas alterações climáticas dominará os debates na COP-16 sobre Desertificação, marcada para Dezembro em Riade, na Arábia Saudita. A cimeira definirá novas metas para a neutralidade da degradação dos solos, estruturas de resiliência à seca e reforço dos sistemas agroalimentares. Ibrahim Thiaw espera que o Brasil seja um ator líder devido ao seu papel como líder global no comércio de commodities agrícolas e na produção de energia hidrelétrica e porque abriga áreas florestais que regulam o sistema de chuvas da região.
O país passou por uma seca histórica na Amazônia no ano passado e acaba de ver antigas áreas semiáridas avançarem para um clima desértico, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Alexandre Pires, atualizou os dados.
“Na região norte do estado da Bahia e no sul de Pernambuco, oito municípios, num polígono de aproximadamente 6 mil km2, parecem ter clima árido. O Cemaden também nos apresentou uma expansão do clima semiárido sobre o clima subúmido seco na ordem de 370 mil km2”, explicou.
Pires também mostrou o impacto disso na população.
“A área de desertificação no Brasil atinge aproximadamente 38 milhões de pessoas: mais de um milhão e setecentos mil estabelecimentos de agricultura familiar, 42 povos indígenas, centenas de comunidades quilombolas que são diretamente afetadas por esses fenômenos”, disse.
Alexandre Pires citou dados ainda em análise que apontam para o surgimento de um clima subúmido seco no norte do estado do Rio de Janeiro e em áreas do Pantanal (MS). A expansão agrícola e a mineração não geridas estão ligadas à desflorestação que deixa o solo suscetível à erosão e à degradação permanente. O governo federal atualiza o Plano Nacional de Combate à Desertificação, criado em 2004, e desenvolve projetos em parceria com o Fundo Global para o Meio Ambiente, com foco em ações concretas para restaurar biomas, restaurar a biodiversidade e tecnologias sociais.
Mário Agra/Câmara dos Deputados
Fernando Mineiro: “A Comissão da Câmara criou uma subcomissão para tratar da Caatinga”
O coordenador de irrigação e conservação do solo e da água do Ministério da Agricultura, Gustavo Goretti, explicou que as ações contra a degradação dos solos áridos também estão articuladas no Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas, que está em revisão. Ele admitiu que um dos gargalos é a disponibilização de tecnologias aos produtores rurais por meio da assistência técnica rural.
Conhecimento tradicional
Diretor da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Rafael Neves defendeu a valorização do conhecimento dos povos da Caatinga, a partir de estratégias de convivência com o semiárido.
“É esse conjunto de práticas com a Caatinga apoiada pelas pessoas do território que nos dá a capacidade de virar esse jogo. A Caatinga talvez tenha um dos maiores potenciais de retenção de carbono do Brasil e capacidade, inclusive, de alimentar seu povo”.
Organizador do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) anunciou a ajuda do Parlamento na articulação das ações que o Brasil apresentará na COP-16 sobre Desertificação, em dezembro.
“A Comissão de Meio Ambiente da Câmara criou uma subcomissão para tratar da Caatinga. Vamos apresentar um plano de trabalho para nos ajudar a nos unirmos. São muitas iniciativas e precisamos unificá-las e interconectá-las”.
A convenção sobre a desertificação completa 30 anos: foi criada durante a Rio-92 e aprovada pela ONU em 17 de junho de 1994, que passou a ser considerado o Dia Mundial de Combate à Desertificação.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
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