12/10/2024 – 21h20
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Seminário da Comissão Especial de Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde
Representantes do governo federal e do setor produtivo debateram, na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10), a implementação da nova meta brasileira de redução de emissões de gases de efeito estufa, a Contribuição Nacionalmente Determinada, também conhecida pela sigla em inglês NDC (Nationally contribuições determinadas).
A nova NDC foi recentemente apresentada durante a COP-29, no Azerbaijão. O Brasil se comprometeu a reduzir as emissões líquidas de gases poluentes (850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas equivalentes de CO₂) em 59% a 67% até 2035. O Ministério do Meio Ambiente classifica-o como “ambicioso e responsável”, mas entidades empresariais destacaram desafios para ser superado.
Organizador do seminário sobre o tema, o presidente da Comissão Especial de Transição Energética, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), reforçou a necessidade de coesão no país com foco na COP-30, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas marcada para novembro de 2025 em Belém do Pará. “Constituir um pacto nacional para que o Brasil esteja presente inteiro e coeso na COP-30. Trabalharemos incansavelmente para isso, para que o nosso país possa mostrar as suas virtudes”.
A secretária nacional de Mudanças Climáticas, Ana Toni, destacou diversas políticas públicas em andamento que viabilizam a nova NDC. Ela citou planos para agricultura de baixo carbono, combustíveis do futuro, transição energética, Nova Indústria Brasil, restauração de vegetação nativa (Planaveg) e Planos de Prevenção e Controle em todos os biomas.
O financiamento, segundo ela, tem sido garantido com recursos do Fundo Clima (BNDES), Programa Eco Invest Brasil (M. Fazenda), Plataforma Brasileira de Investimentos Climáticos (lançada na COP 29) e efeitos futuros da reforma tributária e do Mercado de Carbono , entre outros. O secretário também destacou a redução do desmatamento (especialmente na Amazônia e no Cerrado), que ainda representa a maior pressão sobre as emissões de gases de efeito estufa no Brasil
Ana Toni espera que a meta ambiciosa do Brasil encoraje outros países a seguirem a mesma tendência na COP-30. No caso das nações mais ricas, a própria ONU apelou à antecipação da meta de neutralidade climática de 2050 para 2040, ou seja, quando o nível de emissões for igual ou inferior ao nível de absorção de gases com efeito de estufa pelas florestas e outros mecanismos de descarbonização.
O secretário de clima, energia e meio ambiente do Itamaraty, embaixador André Corrêa do Lago, informou que diversos analistas internacionais consideram que o Brasil é a única grande economia do mundo que já pode se tornar neutra em carbono em 2050 com tecnologias já instaladas . existente hoje. “Todos os outros países precisam de novas tecnologias. Então, essa agenda é uma oportunidade para a liderança brasileira, para ficarmos na vanguarda dessa nova economia”, avaliou.
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Ana Toni espera que o governo chegue a um acordo com os sectores económicos
Planos setoriais
Todos os sectores económicos devem cumprir a NDC de acordo com sete planos sectoriais de mitigação ainda em preparação no âmbito do Plano Climático do Ministério do Ambiente, previsto para Julho.
Consultor da Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária (CNA), Rodrigo Justus manifestou preocupação com o desconfinamento. “Tivemos o anúncio da NDC, mas ainda não sabemos quanto vai fazer a indústria, quanto vai fazer o agronegócio, quanto vai fazer a energia. E esse é o dever de casa que temos agora, e não sei como vai parar na mesa, na hora de dividir a conta. Então, o setor agro vê esse momento como uma oportunidade para nós”.
Enquanto aguarda o plano setorial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que terá como foco ações de eficiência energética, expansão de fontes renováveis, novas tecnologias e economia circular.
Presidente do Fórum de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes ainda teme o risco de penalização no setor. “O setor elétrico tem um pouco mais de dificuldade em fazer isso, porque hoje a nossa demanda por energia está aumentando. As energias intermitentes, que são energias renováveis, têm um limite operacional em nossa matriz e, inevitavelmente, essa é uma escolha que a sociedade terá que fazer: ou teremos uma matriz com energia hidrelétrica firme, ou teremos uma matriz com energia térmica firme. energia”.
A secretária Ana Toni espera que o governo chegue a um acordo com os sectores económicos envolvidos na redução das emissões de gases poluentes. “Espero que cheguemos, especialmente pensando na COP, com uma convergência, um pacto nacional para apresentar o Brasil como um país que fornece soluções climáticas em todos os setores. Depois, lutamos internamente, porque todos os setores têm a ganhar”.
O seminário foi a última reunião do Comitê de Transição Energética da Câmara neste ano. O deputado Arnaldo Jardim comemorou os avanços na regulamentação do hidrogênio verde, dos combustíveis futuros e do mercado de carbono. A expectativa é que o trabalho da comissão se intensifique em 2025 antes da COP 30 no Brasil.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Georgia Moraes
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