Há uma certa ironia em que os planos de reeleição do presidente Lula da Silva passar pelo primeiro candidato de esquerda não petista com chances de ser eleito prefeito de São Paulo, o deputado federal Guilherme Boulos, do PSOL. Se vencer as eleições de outubro, Boulos confirmará um inesperado nicho lulista no seio do antiptismo e dará ao presidente favoritismo para 2026. Se perder, porém, a derrota não será atribuída a ele, mas a Lula. Da mesma forma, a reeleição do atual prefeito Ricardo Nunes não será dele, mas do governador Tarcísio de Freitas, o candidato mais provável da oposição anti-PT. Boulos e Nunes disputam prévia para 2026.
Para ajudar Boulos, Lula primeiro impediu a possibilidade de o PT lançar um nome próprio, depois fez o partido aceitar a ex-prefeita Marta Suplicy como candidata a vice-prefeita e obrigou a liderança nacional a destinar R$ 40 milhões para a campanha. . O coordenador-geral da candidatura é um dos raros políticos em quem Lula confia, o deputado federal petista Rui Falcão.
A primeira tática da campanha de Boulos será destacar a aliança, numa reedição do “Haddad é Lula, Lula é Haddad” que em 2018 levou o agora ministro da Fazenda ao segundo turno das eleições presidenciais. O presidente participará de pelo menos dois comícios de Boulos no primeiro turno e de tantos quantos forem necessários no segundo.
Neste momento, o apoio de Lula faz a diferença. Na nova pesquisa Genial/Quaest, faltando dois meses para o primeiro turno, apenas 42% dos eleitores sabem que Boulos é o candidato presidencial. Segundo a pesquisa, o deputado varia entre 19% e 24% de intenções de voto dependendo dos adversários. Mas quando os pesquisadores perguntam se os eleitores votariam em “Boulos apoiado por Lula”, o índice sobe para 28%. Para comparar: Ricardo Nunes perde votos e oscila de 26% a 25% quando os eleitores são informados que ele é apoiado por Jair Bolsonaro.
O apoio do presidente não altera, porém, o favoritismo de Ricardo Nunes. Sua gestão tem 31% de avaliação positiva, o que, comparando, está na média entre o que os paulistanos pensam de Lula (28% de aprovação) e Tarcísio (36%). Nunes tem ao seu lado a máquina da prefeitura, o maior tempo no rádio e na TV, o maior orçamento de campanha e o apoio ostensivo de Tarcísio de Freitas para compensar o efeito tóxico do apoio de Bolsonaro. Na simulação do segundo turno, Nunes vence Boulos por 45% a 32%.
Líder do Movimento dos Sem-Teto, Boulos tem perfil à esquerda dos dois dirigentes do PT paulista, os ex-prefeitos Fernando Haddad e Marta Suplicy. Na pesquisa Genial/Quaest, seus apoiadores são jovens, pessoas que ganham mais de 4 salários mínimos, com ensino superior e sem religião – perfil que lembra o do PT dos anos 1980 e 1990, e não o eleitor majoritário de até a 2 salários mínimos após os governos Lula. Os pobres de São Paulo, diz a pesquisa, estão com Nunes e o apresentador José Luís Datena. A imagem de Boulos como radical tem sido cuidadosamente reforçada pelos opositores para aumentar a rejeição da classe média: 41% dos paulistanos dizem que nunca votariam no deputado do PSOL, ante 38% que rejeitam Nunes.
Muitos petistas consideram essas dificuldades intransponíveis e gostariam que o presidente fosse mais cauteloso. Lula os ignora. Ele gosta pessoalmente de Boulos, que pela barba preta e jeito expansivo lembra o próprio Lula mais jovem, e considera que uma vitória em São Paulo pode até tirar Tarcísio da disputa presidencial. Em 2022, pela primeira vez na vida, Lula venceu uma eleição na cidade de São Paulo, uma diferença fundamental no olhar mecânico da disputa com Bolsonaro. Para repetir o feito, ele acredita precisar do sucesso de Boulos em outubro.
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