Membro da Academia Carioca de Letras, Uélinton Farias Alvesmais conhecido como Tom Farias64 anos, agora quer se imortalizar na Academia Brasileira de Letras (ABL) na vaga deixada pelo poeta e filósofo Antonio Cíceroque morreu em outubro. Jornalista, escritor e crítico literário, Farias publicou 18 livros, entre romances A bolha e Toda Fúriae já foi finalista do Prêmio Jabuti duas vezes: em 2009, pelo Cruz e Souza: Dante Negro do Brasilsobre o poeta João da Cruz e Sousa; e em 2019, com Carolina, uma biografiauma obra sobre a trajetória do escritor Carolina Maria de Jesus. Tom Farias conversou com a coluna GENTE sobre as expectativas para a eleição, que acontece na próxima quarta-feira, dia 11.
Por que você decidiu se inscrever para se tornar imortal? Sou escritor e, dentro da função, seria alcançar lugares de representação na área da literatura. É uma das missões importantes e representativas ocupar este lugar que a Academia proporciona. Meu propósito é conviver nesse lugar com pessoas que já conheço, amigos, e que representam a cultura, a língua brasileira, ou seja, está nessa direção da questão linguística.
O que significa para você ser selecionado para o cargo? Sou membro da Academia Carioca de Letras, que completará 100 anos, importante instituição da literatura. Para vocês terem uma ideia, fui muito bem votado na Academia Carioca, e, portanto, postulando a Academia Brasileira, ela tem muitas referências importantes, além de ter um homem como Machado de Assis, fundador e patrono. É importante ditar a política dos livros e da literatura. Este é o caminho. E há diálogo intelectual nessas instituições, como podemos falar sobre o que pensamos em termos de Brasil, também em relação ao livro, à leitura, à democratização e à promoção da leitura. Tenho ideias para contribuir com a Academia nesse sentido, é o espaço ideal para compartilharmos pensamentos.
Você acha que a Academia se modernizou? Sim. Ele tem um trabalho forte e representativo. Só fazendo um trecho aqui: a eleição de Ailton Krenak é muito representativa. O primeiro acadêmico indígena conhecido. A Academia se modernizou em relação à questão da língua e da literatura. Os acontecimentos hoje são importantes, porque discutem o país e trazem a literatura como veículo, contribuindo para a democracia.
Uma pesquisa recente mostrou uma perda de sete milhões de leitores nos últimos anos. Como você vê isso? A leitura mudou muito. Venho de uma época em que, para fazer pesquisa sobre trabalhos escolares, era preciso ir à biblioteca e esperar na fila que alguém terminasse o trabalho. Isso mudou. A leitura tornou-se mais dinâmica, vai além da ideia de um livro em formato físico. Precisamos pensar o Brasil pelo lado da modernidade, nada como a minha juventude. Fizemos curso de digitação, hoje ninguém imagina mais isso, o celular está aí para provar que as coisas estão em termos de comunicação. Por outro lado, o Brasil deve modernizar sua política de promoção de livros no país.
Você pode dar um exemplo? Você tem, por exemplo, muitos impostos, o preço do papel, o processo industrial dos livros… Isso desestimula muito o consumo de leitura. O processo de queda de leitores vem dessa política que precisa ser reformulada, precisa haver uma política administrativa para o livro, precisa haver uma reforma. Ainda há a questão da redução de bibliotecas. Hoje dificilmente uma cidade com 100 mil habitantes possui uma livraria no Brasil.
Como o escritor pode ajudar a mudar essa situação? O escritor já fez muito e tem feito, além do esforço mental, o esforço físico para que o livro chegue ao seu público e se torne um instrumento, não só de lazer, mas de conhecimento. Sou da época em que, quando se falava em escritores, eles possivelmente estavam mortos. Hoje não. O escritor de hoje é um ser ativo, uma espécie de ativista – na maioria das vezes, começa com ações de promoção da leitura e divulgação de livros.
Como você vê a diversidade na ABL?
Cada clube é diversificado, para começar. No caso da ABL, ela começou por ser fundada por uma diversidade de homens (faltavam mulheres, que lhe dariam outra dimensão). No caso dos negros, alguns já a fundaram em 1897, notadamente Machado de Assis (1839-1908) e José do Patrocínio (1859-1905). Com lupa, outros poderiam ser mencionados, mas aleatoriamente, talvez mais dois ou três – além dos de sangue indígena, como também havia nesta primeira equipe. Portanto, olhando para a Academia com os olhos de hoje, podemos dizer que ela é diversa – há mulheres, ao contrário da sua fundação; tem um indígena, a grande figura do Aílton Krenak – e tem Domício Proença Filho e Gilberto Gil.
Também concorrendo a esta posição Lucas Pereira da Silva, Edgar Telles Ribeiro, Sônia Netto Salomão, José Efigênio Eloi Moura, Eduardo Luiz Baccarin Costa, Ruy da Penha Lôbo, João Calazans Filho, Martinho Ramalho de Melo, Alda Nilma de Miranda, Chislene de Carvalho, JM Monteiras, Remilson Soares Candeia e Antônio Porfírio de Matos Neto.
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