O cineasta Guel Arraes diz que hesitou diante de uma ideia que parecia óbvia: criar uma sequência para O Auto da Compadecidafilme baseado na peça de Ariano Suassuna (1927-2014) que levou mais de 2 milhões de espectadores aos cinemas em 2000. Ele via a recuperação da história como quase inevitável, dada a onda de continuações que tem dominado o cinema nacional nos últimos tempos – filmes tão diferentes quanto Estômago (2008) e Nossa casa (2010) teve segunda parte lançada este ano, e até o clássico Cidade de Deus (2002) foi ressuscitado com uma série spin-off no streaming Max. Uma preocupação, porém, deixou o experiente Arraes sem dormir por várias noites: como dar continuidade com dignidade a algo que fez tanto sucesso há quase 25 anos? “Achei que não conseguiria, principalmente pela expectativa. Nosso maior concorrente não é o cinema americano, mas o primeiro O automóvel”, explicou a VEJA o diretor pernambucano, que dirige o filme ao lado de Flávia Lacerda.
As noites sem dormir tiveram razão: o resultado da empreitada não pode de facto superar o trabalho anterior e será posto à prova do público no dia 25 de dezembro, quando for exibida a nova saga de João Grilo e Chicó. A química dos malandros interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, aliás, ameniza aquele sabor de prato reaquecido que afeta boa parte das sequências. Com uma história praticamente idêntica à primeira, A Compadecida Auto 2 se passa no mesmo Taperoá, no sertão paraibano, para onde João Grilo retorna após desaparecer por duas décadas, e hoje é conhecido como a figura mítica que ressuscitou após ser baleado por um cangaceiro (Enrique Diaz). Chicó começou a ganhar dinheiro contando repetidas vezes aos turistas a história de como seu melhor amigo conheceu Deus, o Diabo e Nossa Senhora Aparecida, foi julgado e voltou à Terra. Mais maduro, Grilo agora manipula todos ao seu redor com planos malucos —sobretudo, contra dois candidatos a prefeito que só se preocupam com seus interesses.
Os diálogos poéticos homenageiam até as raízes do humor de Suassuna. Mas, como a peça original não teve continuação, Arraes e os roteiristas Jorge Furtado, Adriana Falcão e João Falcão — os dois últimos, também do filme anterior — ficaram misturando elementos de outras obras do autor paraibano, como o show A farsa da boa preguiça (1960). O equilíbrio entre o cult e o popular existe, mas a naturalidade se perde um pouco em meio a cenários mais burocráticos e mercadorias inusitadas de uma marca de cerveja entre as cenas. A viagem ao passado é divertida, mas traz poucas novidades. De qualquer forma, ainda garante boas risadas.
Publicado em VEJA em 13 de dezembro de 2024, edição nº. 2923
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