Supremo determina que governo garanta direitos de pessoas trans no SUS

Supremo determina que governo garanta direitos de pessoas trans no SUS


Em 2023, apenas 13 estados brasileiros contavam com serviços do SUS voltados para pessoas trans.

Foto: Bruno Concha/Secom PMS

Em 2023, apenas 13 estados brasileiros contavam com serviços do SUS voltados para pessoas trans. (Foto: Bruno Concha/Secom PMS)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, que o poder público deve tomar medidas para garantir assistência à saúde às pessoas trans e travestis de acordo com o gênero com o qual o paciente se identifica.

Os ministros analisaram o caso em ambiente virtual até esta sexta-feira (28). Os ministros Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski (aposentado), Rosa Weber (aposentado), Dias Toffoli, Luiz Fux, André Mendonça seguiram integralmente a posição do relator Gilmar Mendes.

Os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso (presidente) acompanharam o relator, mas propuseram medidas adicionais para adequar também a identificação de gênero dos pais na Declaração de Nascido Vivo (primeiro documento do recém-nascido). O ministro Nunes Marques acompanhou parcialmente o relator, propondo também adaptações na DNV.

Em 2023, apenas 13 estados brasileiros contavam com serviços do SUS voltados para pessoas trans. O pedido, apresentado em 2021 pelo PT, foi direcionado contra ações e omissões do Ministério da Saúde, à época sob gestão do governo Jair Bolsonaro.

O partido sustentou que os procedimentos do sistema de saúde para exames e consultas desrespeitavam os direitos deste segmento da população. E pediu que o Sistema Único de Saúde se adapte para garantir atendimento igualitário ao grupo.

O caso foi relatado pelo ministro Gilmar Mendes. Em junho de 2021, em decisão individual, o ministro determinou que o departamento adotasse medidas para garantir que os cuidados de saúde respeitem o género com que o paciente se identifica.

O caso começou a ser julgado no plenário virtual ainda naquele ano. Na ocasião, o relator votou pela confirmação da decisão individual e pelo julgamento definitivo do caso, estabelecendo uma série de ações para o Ministério da Saúde.

Entre eles:

adaptação do sistema SUS, para permitir o agendamento de exames e consultas para todas as especialidades, independentemente do sexo da pessoa, evitando procedimentos burocráticos que possam causar constrangimento ou dificuldade de acesso a pessoas trans;
que as mudanças não devem se restringir ao agendamento de consultas no SUS. Ou seja, aplicam-se a todos os sistemas de informação da rede pública, de forma a permitir à população trans pleno acesso, em igualdade de condições, às ações e serviços de saúde;
que a secretaria informe as secretarias estaduais e municipais de saúde sobre as adequações realizadas nos sistemas de informação do SUS e que também dê suporte à transição dos sistemas locais.

“É necessário garantir acesso igualitário de homens e mulheres trans a todas as ações e programas de saúde do SUS, especialmente aqueles relacionados à saúde sexual e reprodutiva, como agendamento de consultas nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e urologia, independentemente de sua identidade. gênero, sendo fundamental eliminar entraves burocráticos que possam causar constrangimento à pessoa e retardar o acesso à saúde”, afirmou o relator.

Agora, o caso voltou à pauta. Na retomada, o ministro Edson Fachin votou com o relator, mas foi além: entendeu que é preciso estabelecer que a Declaração de Nascido Vivo deve ser preenchida com os nomes dos pais de acordo com a identidade de gênero.

O ministro Nunes Marques acompanhou parcialmente o relator. Concluiu que não houve omissão do Poder Público no caso, mas entendeu que são necessárias medidas de adaptação no serviço.

Em relação ao atendimento às pessoas trans, destacou que é preciso levar em consideração as circunstâncias de cada caso. E, em relação à DNV, votou para que o documento tivesse tanto a expressão “parturiente” quanto a palavra “mãe”.

No dia 21 de maio, o Ministério da Saúde alterou a classificação de gênero de mais de 200 procedimentos no Sistema Único de Saúde. A proposta com a mudança é ampliar o acesso aos tratamentos da rede pública para pessoas trans.