Pena de militares que atiraram 257 vezes em carro de músico no Rio de Janeiro para 3 anos

Pena de militares que atiraram 257 vezes em carro de músico no Rio de Janeiro para 3 anos


O STM julgou recurso de policiais envolvidos na morte de Evaldo Rosa.

Foto: Divulgação/STM

O STM julgou recurso de policiais envolvidos na morte de Evaldo Rosa. (Foto: Divulgação/STM)

O Superior Tribunal Militar (STM) acolheu nesta quarta-feira (18) parte do recurso da defesa e reduziu as penas de oito militares do Exército acusados ​​pelas mortes do músico Evaldo Rosa e do colecionador de latas Luciano Macedo, em abril de 2019, no Rio de Janeiro.

Dois dos soldados foram condenados a 3 anos e seis meses de detenção. Outros seis soldados cumpriram três anos de detenção. Todos cumprirão a pena em regime aberto.

Não cabe mais recurso da decisão no Tribunal Militar, pois o STM é a última instância. Porém, a constitucionalidade da decisão pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).

O carro em que Rosa estava com familiares foi baleado pelos militares. Segundo a perícia, 62 tiros perfuraram o veículo. Nove atingiram o músico, que morreu no local.

Seu sogro também foi baleado, mas sobreviveu. Eles estavam a caminho de um chá de bebê.

Macedo passava pelo local e foi atingido por tiros enquanto tentava ajudar a família de Rosa. O coletor foi resgatado, mas não sobreviveu.

A esposa de Rosa, Luciana Santos, e o filho do casal, compareceram à retomada do julgamento pelo STM. Ao chegar ao tribunal, ela se emocionou e disse esperar que a condenação dos militares fosse mantida.

Ao final do julgamento, ela lamentou a redução da pena e disse que não confia mais no sistema de justiça.

“Uma decisão horrível, lamentável e triste. Muito complicado. Mas era um pouco esperado. Porque no país onde vivemos sabemos que não há justiça, principalmente para os pobres e negros”, disse.
Ela afirmou que não pretende recorrer da decisão.

“Vou conversar com meus advogados para ver o que podemos fazer. Mas para mim eu pararia por aqui. Não confio porque sabemos que a justiça é muito falha, e é algo que faz muito mal a mim, à minha família, ao meu filho. É como se eu tivesse que voltar ao início de tudo que vivi há seis anos”, afirmou.

Condenação em 2021

Em outubro de 2021, os oito militares foram considerados pela Justiça Militar culpados de dois homicídios – de Rosa e Macedo – e uma tentativa de homicídio – do sogro do músico.

O tenente Ítalo da Silva Nunes, que liderou a ação, foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão. Os outros sete soldados foram condenados a 28 anos de prisão.

A defesa dos militares alegou que agiram em legítima defesa e recorreram da condenação ao STM. Todos aguardavam em liberdade o julgamento deste recurso.

Em depoimento, os militares alegaram que confundiram o carro de Rosa com o de bandidos que, pouco antes, atiraram contra eles e os perseguiam.

Julgamento no STM

O STM começou a julgar o recurso em fevereiro. O relator, ministro Carlos Augusto Amaral, apresentou votação em que absolveu os militares do crime de homicídio contra Rosa. Ele considerou que não havia provas suficientes para condenar.

Amaral baseou-se no fato de haver dúvidas se o primeiro tiro que atingiu o cantor, na cabeça, foi ou não disparado pelos militares.
Amaral também votou pela alteração da pena em relação a Macedo, de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para homicídio culposo (quando não há intenção). E defendeu a redução da pena para cerca de três anos de prisão aberta.

(As informações são do G1)