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A Editorial Sul
| 28 de dezembro de 2024
Diante da falta de dados “essenciais”, o ministro concedeu mais um prazo para a Câmara se pronunciar. (Foto: Antônio Augusto/STF)
Autor da decisão que suspendeu o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta sexta-feira (27) que a Câmara dos Deputados não apresentou as informações necessárias para o desbloqueio dos recursos e reiterou os questionamentos e críticas feitas anteriormente às transferências. O assunto é motivo de impasse institucional e de embate entre Legislativo e Judiciário.
Anteriormente, a Procuradoria da Câmara havia enviado ao STF documento no qual afirmava ter cumprido as determinações do Tribunal e solicitava a liberação dos recursos. O argumento da Câmara foi que os parlamentares agiram de “boa fé”, respeitando a legislação vigente e as interpretações jurídicas do Executivo, e que a aprovação das emendas ocorreu de forma transparente. No dia anterior, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já havia se manifestado no mesmo sentido. Ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes partidários.
Dino, porém, considerou insuficiente esta primeira resposta dos deputados. “Lamentavelmente, informações essenciais não emergem da petição apresentada hoje (27) pela Câmara dos Deputados”, disse. Diante da falta de dados “essenciais”, o ministro havia concedido outro prazo para a Câmara se pronunciar – a Câmara tinha até as 20h de ontem para entregar novas respostas.
À noite, a Câmara informou ao Supremo que agiu “sob orientação jurídica” de secretarias do governo Lula ao indicar os R$ 4,2 bilhões em emendas patrocinadas por 17 líderes de bancada. Ele também defendeu a legalidade do procedimento. “Daí o estranheza de apenas a Câmara estar participando neste momento do diálogo institucional com o Supremo Tribunal Federal, com o propósito de aprimorar o processo orçamentário de emendas parlamentares, quando a competência para a matéria é do Congresso Nacional, quando o Senado adotou uma procedimento estritamente idêntico ao da Câmara dos Deputados e quando ambas as Casas se limitaram a seguir orientações técnicas prévias do Poder Executivo, para efeito de apenas encaminhar indicações nem sequer obrigatórias”, diz o comunicado assinado pela Advocacia da Câmara.
Segundo o documento, a orientação jurídica partiu dos Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Gestão, além da Secretaria de Relações Institucionais, da Casa Civil e da Advocacia-Geral da União. “Se não houvesse orientação em questão, não haveria nenhum oficial de indicação.”
Bloqueio de R$ 4,2 bilhões
Na última segunda-feira (23), Dino bloqueou R$ 4,2 bilhões em emendas da comissão – o pagamento era esperado até o final do ano – por entender que não atendiam aos critérios de transparência e rastreabilidade e descumpriram decisões do STF. Ele condicionou o desbloqueio à identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações.
Ontem, ao exigir novas explicações, Dino rejeitou o argumento da Câmara sobre a distinção entre “aprovação” e “indicação” de alterações. Segundo ele, não há base normativa que justifique a afirmação de que a destinação de recursos por uma comissão permanente da Câmara não carece de aprovação formal.
“Lembro que não existem ‘emendas de líderes’ no ordenamento jurídico brasileiro. A Constituição Federal trata exclusivamente de ‘emendas individuais’ e ‘emendas de bancada’, enquanto as ‘emendas de comissão’ são regulamentadas pela Resolução nº 001/2006, do Congresso Nacional, e, mais recentemente, pela Lei Complementar nº 210/2024” , ele afirmou.
As emendas bloqueadas por Dino são do tipo RP-8, conhecidas como emendas de comissão. Estas alterações são indicadas por um ou mais parlamentares a cada comissão permanente, que as aprova. Porém, o conjunto de emendas aprovadas pela Câmara e enviadas no último dia 12 ao governo federal – responsável pela execução dos recursos – não identifica os parlamentares que fizeram as indicações. Em vez disso, 17 líderes de bancada aparecem na carta como os responsáveis pelas alterações.
No primeiro documento enviado ontem ao Supremo, Lira já havia dito que o procedimento adotado, com assinatura de 17 líderes de bancada, foi considerado legal e respaldado por órgãos e ministérios do governo Lula. A Câmara destacou que a carta enviada ao Executivo ratificou as indicações de alterações já aprovadas pelas comissões, e não serviu para “criar ou aprovar novas alterações na ausência das comissões”. (Estadão Conteúdo)
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Ministro Flávio Dino rejeita alegações da Câmara sobre emendas e mantém impasse institucional
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