Lula descarta desvinculação do piso da aposentadoria do salário mínimo

Lula descarta desvinculação do piso da aposentadoria do salário mínimo


“Preciso garantir que todos possam viver com dignidade”, disse Lula

Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Preciso garantir que todos possam viver com dignidade”, disse Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a dissociação do piso previdenciário do salário mínimo. Ele afirmou ainda que não mudará a política de aumento do valor mínimo.

“A palavra salário mínimo é o salário mínimo que uma pessoa precisa para sobreviver. Se eu achar que vou resolver o problema da economia brasileira apertando o mínimo, estou desonrado, não vou para o céu, estaria no purgatório”, disse o petista em entrevista nesta quarta-feira (26).

“Preciso garantir que todos possam viver com dignidade. Portanto, temos que tentar partilhar o nosso pão de cada dia em igualdade de condições. Você acha que quero que um empresário tenha prejuízo? Eu não sou louco! Porque se der prejuízo, perderei meu emprego. Quero que o empresário tenha lucro, mas quero que ele tenha cabeça, como Henry Ford teve, quando disse: ‘Quero que os meus trabalhadores ganhem bem para que possam comprar os produtos que fabricam’. Se essa filosofia predominasse na cabeça de todos, este país seria maravilhoso”, acrescentou Lula. Henry Ford (1863-1947) é o fundador da fabricante americana de veículos Ford.

Em audiência pública no Congresso Nacional neste mês, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse que o governo está revendo os gastos e que a discussão está sendo feita apenas internamente. A equipe econômica estuda a possibilidade de “modernizar” os vínculos entre benefícios trabalhistas e previdenciários, não relacionados à aposentadoria, como o BPC (benefício de prestação continuada), o abono salarial e o seguro-desemprego.

Na quarta-feira (26), Lula também afirmou que a política de aumento do salário mínimo será mantida enquanto ele for presidente da República. A política prevê reajuste anual com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mais a variação positiva do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Caso o PIB não tenha crescimento real, o valor a ser reajustado leva em conta apenas o INPC.

“É sempre preciso repor a inflação para manter o poder de compra, e damos uma média do crescimento do PIB nos últimos dois anos. O crescimento do PIB é exactamente o que isto significa. O crescimento do PIB é para você distribuir entre os 213 milhões de brasileiros, e não posso penalizar quem ganha menos”, afirmou Lula.