O Tribunal de Justiça de Alagoas declarou por unanimidade que era inconstitucional a lei municipal que obrigava as mulheres que buscavam o aborto legal na rede pública de Maceió a ver, detalhadamente, inclusive com imagens, o desenvolvimento do feto semana a semana.
A lei também forçou as mulheres a ver como seria realizado o procedimento de aborto legal.
A decisão de derrubar a medida foi tomada nesta terça-feira (11), após ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Defensoria Pública de Alagoas. A lei já havia sido suspensa, em janeiro deste ano, por meio de liminar.
“Essa é uma questão de direito penal que cabe à União legislar e não ao município”, disse o defensor público-geral Carlos Eduardo Monteiro. O desembargador Fábio Ferrario, relator do caso, confirmou que o município não tem competência para legislar sobre o assunto. “Essa lei municipal tirou a autonomia e acentuou o sofrimento psicológico das mulheres”, disse Ferrario em seu voto.
Segundo o advogado Igor Franco, representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) – seccional de Alagoas, nem o Ministério Público municipal nem a Câmara Municipal defenderam a constitucionalidade da norma municipal. “Com esta lei só foi possível revitimizar as mulheres durante o procedimento”, afirmou.
A lei, proposta pelo vereador Leonardo Dias (PL), foi aprovada em fevereiro de 2023 pela Câmara Municipal de Maceió. Recebeu 22 votos positivos dos 23 parlamentares presentes no dia da votação. Também contou com o apoio do Movimento Pró-Vida. Foi promulgado em dezembro do mesmo ano pela Câmara.
A legislação, agora derrubada, exigia que todos os estabelecimentos da rede municipal de saúde orientassem as pacientes sobre os riscos e consequências relacionados aos procedimentos de aborto.
“Isso só vai acontecer para quem está enquadrado na lei. Então o projeto é para que ela tenha a dimensão do ato que vai praticar. Não há anomalia nisso. Porque quando vamos fazer uma cirurgia também somos orientados sobre o método utilizado, seja vídeo ou tradicional, os procedimentos, as possibilidades e os prognósticos de recuperação”, explicou Dias na altura.
Líder do PL na Câmara, o vereador é católico conservador e bolsonarista. Ele também propôs uma lei no Legislativo municipal que impede o sistema de ensino de “expor crianças e adolescentes à sexualização” por meio de bailes e eventos culturais.
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal em março do ano passado, o Codim (Conselho Municipal da Mulher), por meio da presidente Ana Paula Mendes, manifestou-se contra a lei, afirmando que ela impunha mais sofrimento às mulheres, além de ser inconstitucional.
“O Codim rejeita totalmente o projeto. No Brasil, o aborto pode ocorrer nas seguintes situações: gravidez resultante de estupro, anencefalia e risco para a mulher. Na legislação federal não há indicação de que a mulher, já fragilizada pela situação vivenciada, deva têm que ser submetidos a qualquer exposição de imagens”, disse o conselheiro.
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