Juíza consegue ressuscitar a operação Lava-Jato após o infortúnio do ex-juiz Sérgio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol

Juíza consegue ressuscitar a operação Lava-Jato após o infortúnio do ex-juiz Sérgio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol


A juíza Rejane Jungbluth Suxberger, da 1ª Zona Eleitoral de Brasília, transformou nomes como Marcelo Odebrecht e João Vaccai Neto em réus. (Foto: Reprodução)

O infortúnio do ex-juiz Sérgio Moro, do ex-procurador Deltan Dallagnol e da equipe da Lava Jato, que nos últimos anos levou à total desmoralização da operação que messianicamente pretendia salvar o Brasil da corrupção, resultou em um benefício providencial aos investigados: confessores corruptos passaram a se considerar vítimas pobres da lavagem de carros; e as suas ações, uma mera fantasia forjada pelos membros da força-tarefa para destruir reputações e arruinar o país.

Em meados de novembro, sem alarde, a juíza Rejane Zenir Jung Bluth Suxberger, da 1ª Zona Eleitoral de Brasília, deu um passo importante para corrigir esse desvio maligno, ao colocar o empresário Marcelo Odebrecht, ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ex-Petrobras o diretor de serviços Renato Duque e outros 36 investigados na antiga Lava Jato. A denúncia foi retirada do sigilo na última semana de novembro.

Anteriormente tramitado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, que abrigou a Lava Jato, o caso foi encaminhado à Justiça Eleitoral de Brasília após o Supremo Tribunal Federal reconhecer sua competência para analisar ações relacionadas a crimes eleitorais. O processo também foi afetado pela anulação de provas do acordo de leniência da Odebrecht, mas o Ministério Público Federal apresentou nova denúncia, ressaltando que, mesmo com a exclusão de inúmeras provas, a acusação ainda se manteve sustentada.

“Os pressupostos processuais e as condições da ação para recebimento da denúncia estão presentes”, afirmou a juíza Suxberger em seu despacho. Os citados foram acusados ​​dos crimes de corrupção, gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de ativos e organização criminosa na construção e ampliação da “Torre de Pituba”, nova sede da Petrobras em Salvador. O empreendimento teria sido construído em meio a pagamentos de propinas de cerca de R$ 68 milhões pelas construtoras OAS e Odebrecht aos então diretores da estatal. Para o juiz, há “indício de materialidade” dos crimes cometidos.

Este é um bom e claro alerta aos que estavam fartos de um suposto salvo-conduto oferecido pelo aniquilamento moral de Moro, Dallagnol e demais integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Erros e abusos sabidamente cometidos por eles, afinal, foram usados ​​não apenas para desqualificar a operação, mas também para fingir que nunca existiu corrupção entre as maiores construtoras do país e a Petrobras – apesar das evidências irrefutáveis ​​de apropriação indébita de recursos públicos recursos através de contratos fraudulentos e da confissão de muitos nomes envolvidos.

A aceitação da nova denúncia e a consequente reinserção dos investigados como arguidos, agora no tribunal competente, podem ajudar a colocar o debate sobre o combate à corrupção nos seus devidos termos. É urgente que o país supere as consequências deixadas pela Lava Jato, pare de confundir a agenda anticorrupção com a operação, leve o caso adiante com respeito ao princípio do devido processo legal e, por fim, fuja do perigo de ver criminosos confessos fazendo-se passar por vítimas. (Estadão Conteúdo)