Hospital de Porto Alegre realiza cirurgia inédita no Brasil para prevenir o acidente vascular cerebral

Hospital de Porto Alegre realiza cirurgia inédita no Brasil para prevenir o acidente vascular cerebral


A litotripsia intravascular consiste na introdução de um balão que emite ondas de choque ultrassônicas

Foto: Divulgação

A litotripsia intravascular consiste na introdução de um balão que emite ondas de choque ultrassônicas. (Foto: Divulgação)

A cirurgia vascular da artéria carótida, nunca antes realizada no Brasil, foi realizada no HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre) no dia 8 deste mês. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (28) pela instituição de saúde, o objetivo do procedimento é atuar nas placas de gordura e cálcio capazes de causar acidente vascular cerebral.

A litotripsia intravascular consiste na introdução de um balão que emite ondas de choque ultrassônicas. As ondas quebram as placas calcificadas no interior das artérias, impedindo-as de fechar. A técnica costuma ser utilizada no sistema circulatório do coração e, ocasionalmente, nas pernas para tratar obstruções arteriais nesses locais.

Desta vez, um cateter de apenas 2 milímetros foi inserido na virilha e levado até o pescoço. “É um procedimento mais eficaz para placas complexas, de difícil tratamento e que pode reduzir a chance de acidente vascular cerebral”, afirmou o médico do Serviço de Cirurgia Vascular Periférica do HCPA Alexandre Araujo Pereira. Segundo ele, a litotripsia carotídea intravascular já é utilizada na Europa e nos Estados Unidos. Após o uso do balão, foi colocado um stent (pequeno dispositivo em formato tubular) para evitar maior obstrução das artérias.

O paciente de 75 anos já teve um acidente vascular cerebral. Ela recebeu apenas anestesia local e permaneceu acordada durante todo o procedimento. “Outra vantagem é que o pós-operatório é mais rápido. Em 24 horas foi possível dar alta ao paciente”, afirmou Pereira.

O chefe do Serviço de Cirurgia Vascular Periférica do HCPA, professor Marco Aurélio Grudtner, explica que a litotripsia ainda é um procedimento restrito. “O uso pode beneficiar principalmente pacientes com placas extremamente calcificadas, nos quais o stent pode não se adaptar adequadamente ao vaso, aumentando a chance de complicações. Ainda são necessários mais estudos para definir os critérios de utilização”, declarou.

Hospital público, geral e universitário, o Clínicas atende pacientes em cerca de 60 especialidades.