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A Editorial Sul
| 25 de agosto de 2024
É necessário preparar o país para a nova demografia. (Foto: Divulgação)
Não há surpresa no envelhecimento da população brasileira. O relógio demográfico acelerou e a proporção de idosos crescerá mais do que o previsto anteriormente. Isto exigirá mais urgência do governo para implementar políticas públicas apropriadas. Os principais desafios são dois: preparar os jovens da melhor forma possível à medida que a população envelhece; oferecer oportunidades e apoio aos idosos.
As projeções mais recentes do IBGE, as primeiras baseadas no Censo 2022, preveem que daqui a 18 anos — em 2042 — a população brasileira começará a cair (pela estimativa anterior, só diminuiria a partir de 2048). “Depois da pandemia, a trajetória foi de queda [no crescimento]. E em ritmo cada vez maior”, afirma Marcio Minamiguchi, gerente de Projeções e Estimativas Populacionais do IBGE. Por trás do movimento demográfico está a redução da fertilidade. Em 2000, nasceram 3,6 milhões. Em 2022, 1 milhão a menos. Prevêem-se apenas 1,5 milhões de nascimentos em 2070. A população também envelhecerá mais rapidamente. De 2000 a 2023, a proporção de idosos quase dobrou, passando de 8,7% para 15,6%. Hoje, a maior parcela da população (26,2%) tem entre 40 e 59 anos. Os idosos serão predominantes em 2042 e atingirão quase 40% em 2070.
O Brasil tem o custo adicional de ter perdido o ciclo em que a população economicamente ativa, entre 15 e 64 anos, aumenta sua participação no total, conhecido entre os demógrafos como “bônus demográfico”. É um período que favorece o crescimento económico simplesmente através da entrada de mais pessoas no mercado de trabalho. Esta participação começou a cair em 2018 (ou 2017 se for considerada a faixa etária dos 15 aos 59 anos) e, a partir de 2030, a população activa começará a diminuir. Será necessário encontrar formas de gerar mais riqueza com menos pessoas trabalhando. O nome que os economistas dão a isto é produtividade. Sem aumentá-lo, o empobrecimento será uma consequência inevitável da nova realidade demográfica.
Não há país desenvolvido que não tenha aproveitado o bónus demográfico para aumentar a capacidade de inovação e a produtividade. A má notícia para o Brasil é que o tempo está passando e o país ainda não resolveu problemas já superados em outros países que souberam aproveitar ao máximo a entrada de jovens no mercado de trabalho. As disparidades de rendimento e as bolsas de pobreza são sinais visíveis de distorções que persistem. Já é certo que o Brasil envelhecerá antes de enriquecer.
É verdade que o envelhecimento também traz oportunidades. Uma forma é criar atividades nas quais os idosos também possam gerar riqueza. “Os pessimistas veem a população idosa como um passivo e um ‘peso morto’ para a economia”, escreveu o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves. “Mas o fim do primeiro bónus demográfico não é o fim do mundo, pois ainda temos o segundo bónus demográfico – o bónus de produtividade – e o terceiro bónus demográfico – ou o bónus de longevidade e geração de prata.”
De qualquer forma, o impacto nas políticas públicas deve ser avaliado agora. Os investimentos na saúde terão de dar mais peso à população idosa e de meia-idade. As cidades e os transportes públicos terão de se adaptar às novas demografias. Especialmente na educação, principal motor da produtividade, ainda há muito a fazer. O tempo, mostram os números, não dará trégua. (Opinião/O Globo)
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Haverá menos pessoas no Brasil a partir de 2042, segundo IBGE: envelhecimento da população exige mais do governo
25/08/2024
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