Brasil fica atrás de Irã e Bósnia em ranking global de Matemática e Ciência

Brasil fica atrás de Irã e Bósnia em ranking global de Matemática e Ciência


É a primeira vez que o Brasil participa do exame.

Foto: Reprodução

É a primeira vez que o Brasil participa do exame. (Foto: Reprodução)

No total, 51% dos estudantes brasileiros de 9 anos não conseguem fazer matemática básica e medidas simples. Isto inclui, por exemplo, multiplicar números de um único dígito – como 4 x 5 ou 3 x 8 – ou medir comprimentos com uma régua. Na Ciência, os resultados são um pouco melhores, mas apenas 31% das crianças sabem que a gravidade puxa as coisas para baixo.

O resultado faz parte do teste Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), divulgado mundialmente nesta quarta-feira (4). É a primeira vez que o Brasil participa do exame. O desempenho dos alunos do 4º ano deixou o país na 55ª posição entre 58 países em Matemática, à frente apenas de Marrocos, Kuwait e África do Sul. O Brasil está atrás, por exemplo, do Irã, da Bósnia e do Cazaquistão.

Os resultados mostram que as dificuldades de aprendizagem das crianças brasileiras começam cedo; 16% tiveram desempenho pior do que se tivessem acertado todas as questões e 5% não acertaram nenhuma questão na prova de Matemática do 4º ano.

Até então, o Brasil só havia sido comparado a outros países em avaliações desse tipo com estudantes de 15 anos, que fazem o Pisa, realizadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prova tem questões de Matemática e Ciências e avalia alunos do 4º e 8º ano do ensino fundamental. Em todos os rankings, os países asiáticos se destacam. Singapura está no topo de ambas as disciplinas, em ambas as idades avaliadas. A cidade-estado do Sudeste Asiático é seguida por países como China, Hong Kong, Japão e Coreia do Sul.

A nação melhor posicionada fora da Ásia é a Lituânia, em sétimo lugar no ranking do 4º ano de Matemática. Em seguida vêm a Turquia e a Inglaterra. Os Estados Unidos estão em 27º.

Os resultados dos países podem ser expressos de diversas formas, além da sua posição no ranking. Dependendo das respostas corretas, os alunos atingem os níveis de dificuldade do exame: baixo, intermediário, alto e avançado:

– Apenas 49% dos brasileiros com 9 anos atingiram o nível mais baixo de aprendizagem, que é capaz de fazer multiplicação e divisão simples e adição de centenas;
– Os outros 51% não conseguiram atingir este mínimo esperado;
– Deles, 16% tiveram desempenho pior do que se tivessem respondido todas as questões;
– 5% não responderam nenhuma pergunta corretamente
– Dos 49% que estão no nível baixo, 21% alcançaram também o padrão de aprendizagem intermediário, em que os alunos podem medir comprimento com régua e fazer contas com números de até três dígitos;
– Outros 5% estão no nível alto, onde conseguem subtrair e somar decimais e converter minutos em horas;
– E 1% estão no nível avançado, resolvendo equações e representando dados em um gráfico.

“Mais de 15% dos alunos não conseguiram fazer a prova de matemática. O que acertaram foi um acerto aleatório, ou seja, um tiro. Isso é muito grave”, afirma o diretor fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Ernesto Faria, especialista em avaliação.

Segundo ele, é preciso olhar também para o patrimônio. “Não se trata de atingir a média dos países desenvolvidos, trata-se de proporcionar uma educação que permita direitos básicos aos nossos alunos. Não é possível ter 51% dos alunos abaixo do básico enquanto menos de 5% dos alunos de muitos países estão nessa faixa”, avalia.

O TIMSS é realizado pela Associação Internacional para Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), uma cooperativa internacional de instituições de investigação, agências, académicos e analistas, com sede nos Países Baixos. O exame é realizado em parceria com o Boston College (EUA). Este foi o oitavo ciclo de avaliações, realizado a cada quatro anos.

Cerca de 650 mil alunos de escolas públicas e privadas dos países participantes foram avaliados em 2023. As provas foram realizadas no computador. Há questões sobre números, medidas e geometria, através da resolução de problemas.

Segundo a IEA, 91% dos alunos do 4º ano de todos os países avaliados alcançaram “pelo menos o padrão internacional mínimo (400 pontos na escala TIMSS) em Matemática, uma indicação de que demonstraram competências como somar e subtrair números até três dígitos e aplicar propriedades básicas de formas geométricas.”

E internacionalmente, 81% dos alunos do 8º ano atingiram este nível demonstrando conhecimento de números inteiros, encontrando os comprimentos dos lados dos polígonos e lendo informações de gráficos.