Alexandre de Moraes arquiva inquérito sobre possível abuso de big techs em campanha contra projeto de lei das fake news

Alexandre de Moraes arquiva inquérito sobre possível abuso de big techs em campanha contra projeto de lei das fake news


O magistrado atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República.

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O magistrado atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (20) o arquivamento do inquérito que investigou campanha realizada pelas plataformas Google e Telegram contra o chamado Projeto de Lei das Fake News (PL).

O magistrado atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em declarações ao Supremo Tribunal, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, afirmou que os elementos recolhidos ao longo da investigação não justificavam uma acusação formal contra dirigentes das empresas investigadas.

Moraes também acatou o entendimento da PGR e determinou o envio de provas da investigação ao Ministério Público Federal em São Paulo para eventualmente serem utilizadas em investigações nas esferas cível e administrativa contra as empresas.

A posição da PGR divergiu da conclusão da Polícia Federal (PF) de que a atuação do Google e do Telegram Brasil no caso constituíram “abuso de poder econômico, manipulação de informações e possíveis violações à ordem consumerista”.

O inquérito foi aberto depois que a PGR foi acionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), com uma denúncia-crime afirmando que as duas empresas praticaram ações “contundentes e abusivas” contra a aprovação do projeto.

Na altura, a Câmara disse à PGR que as empresas atuam para proteger os interesses económicos e “têm utilizado todo o tipo de artimanhas numa sórdida campanha de desinformação, manipulação e intimidação, aproveitando a sua posição hegemónica no mercado”.

Na avaliação da PGR, o encerramento do caso é uma medida razoável face aos elementos apurados.

“Conclui-se, portanto, que a propagação de posição contrária à proposta legislativa, ainda que marcada pela intenção de privilegiar o interesse próprio, não demonstra a intenção de abolir o regime democrático ou de dificultar o exercício regular dos poderes constitucionais” , escreveu Chateaubriand.

Para o deputado PGR, a sobrecarga dos sistemas de informação da Câmara dos Deputados e a significativa busca de contato da sociedade com os parlamentares não constituem, isoladamente, uma tentativa de ruptura.

“Tal conduta, ao contrário, evidencia o exercício legítimo da democracia representativa, marcado pela utilização dos meios de comunicação disponibilizados pela casa legislativa com o objetivo de estabelecer uma transmissão de ideias dos eleitores aos eleitos. Qualquer excesso na utilização deste instrumento não implica ofensa ao regime democrático”, afirmou.