Acusando Campos Neto de fazer uso político do cargo, PT entra na Justiça contra o presidente do Banco Central

Acusando Campos Neto de fazer uso político do cargo, PT entra na Justiça contra o presidente do Banco Central


Ação se baseia em recentes declarações públicas do presidente do BC

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A ação se baseia em recentes declarações públicas do presidente do BC. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Como parte de uma ofensiva contra o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, o PT decidiu recorrer à Justiça Federal com uma ação popular visando o chefe da autoridade monetária. O partido acusa Campos Neto de fazer uso político de seu cargo e pede que ele seja proibido de realizar manifestações políticas.

A ação tem como base recentes declarações públicas do presidente do BC, que, segundo o texto, expõem “intenções políticas que sugerem possível interferência na independência e imparcialidade da gestão daquela instituição”.

“A conduta [de Campos Neto] tem evidente orientação político-ideológica, que pode impactar na boa condução da política monetária e financeira nacional, caracterizando, portanto, ato que atenta contra a moralidade administrativa e possível conflito de interesses”, diz a ação popular.

Nele, o PT cita reportagens de veículos de comunicação. Um exemplo citado foi o registro da homenagem prestada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a Campos Neto, em evento na Assembleia Legislativa. Na ocasião, Campos Neto foi homenageado pelos deputados estaduais e depois recebido em jantar no Palácio dos Bandeirantes.

Um dos textos reproduzidos na ação, atribuído ao jornal Folha de S.Paulo, aponta que “Campos Neto sinalizou a Tarcísio que aceitaria ser seu ministro da Fazenda caso o governador decidisse ser candidato à presidência”.

Alegando violação do interesse público e da moral administrativa, o PT aponta a existência de “potencial conflito de interesses”. Em outro trecho, o partido pede ainda que o presidente do BC se abstenha de fazer “novas declarações de cunho político-partidário ou mesmo de manifestar qualquer apoio à candidatura ou pretensão de ocupar cargo político, enquanto perdurar o cargo. ”

“Ao anunciar o seu apoio ao alegado pré-candidato à presidência da República, mais de dois anos antes das eleições, além de manifestar a sua intenção de ocupar o cargo político de Ministro de Estado, fica claro que a conduta do arguido é pautado pelo interesse privado, em clara violação dos princípios da moralidade e da impessoalidade”, alega o petista.