Luiz Inácio Lula da Silva completa hoje, 1º, dez anos como presidente do Brasil. Apenas Pedro II, entre 1831 e 1889, e Getúlio Vargas, entre 1930-45 e depois 1951-54, governaram o país por mais tempo, com a diferença brutal de que Lula foi eleito três vezes pelo voto popular. Ao longo de três mandatos, Lula enfrentou a desconfiança no mercado financeiro em 2003, o escândalo do Mensalão de 2005, a crise financeira global de 2008, a recessão de 2009 e os preparativos para um golpe militar em 2023, implementando políticas públicas bem-sucedidas como o Bolsa Família e O ProUni, fez o Brasil crescer com distribuição de renda e se marcou como um raro líder capaz de gerar consenso entre esquerda e direita.
2024, porém, foi o ano em que desapareceu esse Lula experiente, capaz de unir o país, superar adversidades e unir opostos. Surgiu outro Lula, mais centralizador, impaciente, convencido de suas certezas e menos disposto a ouvir divergências. É um governo que reciclou projetos antigos (PAC, Mais Médicos, etc.), sem compreender novas circunstâncias, como as redes de solidariedade das igrejas evangélicas, o apelo do empreendedorismo e a resistência ideológica às vacinas. É como se o governo não aceitasse uma premissa básica da sua existência: Lula foi eleito não pelos méritos, mas pelos deméritos de Jair Bolsonaro.
Faltando dois anos para o final do seu terceiro mandato, a questão é se Lula irá dobrar a aposta no modelo de 2024 ou voltar ao estilo de 2010.
O terceiro governo Lula tem resultados contraditórios. Foram evidentes avanços na macroeconomia, com dois anos consecutivos de crescimento acima de 3%, desemprego na menor taxa da história recente, salários recordes, aprovação da reforma tributária e assinatura das bases do acordo Mercosul-União Europeia.
A condução da política econômica, porém, foi em zigue-zague, com o ministro Fernando Haddad atuando como bombeiro para tentar mitigar as contradições de um governo que sabe que precisa de um ajuste fiscal, mas odeia ter que fazê-lo. Lula anunciou que pretendia rever a meta de inflação de 3% ao ano, e posteriormente autorizou que essa mesma meta fosse prorrogada pela eternidade. Depois disse que poderia rever a autonomia do Banco Central e, em última análise, não fazer nada. Ele disse não acreditar na meta fiscal de déficit abaixo de 0,3% em 2024, mas autorizou o bloqueio de mais de R$ 20 bilhões do orçamento para cumprir a meta. Ele ordenou que a Petrobras não distribuísse dividendos e recuou diante da reação do mercado. Ele repetiu diversas vezes que Roberto Campos Neto estava usando o Banco Central para boicotar seu governo e nomeou para substituí-lo um diretor que quase sempre votava igual a Campos Neto. Por fim, Lula encomendou a Haddad um projeto para ajustar o crescimento das despesas públicas que, após quatro semanas de reuniões ministeriais, se tornou um pacote para reduzir impostos, sem que ainda esteja claro como será paga essa isenção. Desde o fracasso do anúncio do pacote fiscal, o Brasil tornou-se um ativo tóxico no mercado internacional, com dezembro marcando a maior saída de dólares desde a crise cambial de 1998. A cotação do dólar está em R$ 6,10 porque mesmo dentro do governo os ministros não sabem os rumos que o presidente pretende levar a economia.
O próximo ano será difícil e os problemas imediatos não serão internos, mas externos. O novo mandato de Donald Trump será turbulento e a ilusão do governo brasileiro de que o presidente americano é apenas uma versão temperamental de George W. Bush é estúpida, para dizer o mínimo. No cenário mais benigno, Trump iniciará uma guerra comercial global com efeitos directos nas exportações. No caso mais maligno, o Brasil será alvo de retaliação em defesa dos interesses das empresas de Elon Musk. O governo e as empresas brasileiras não estão preparados para o tsunami.
A ascensão de autoritários como Donald Trump, que exige obediência e não parceria de outros países, é o ponto mais visível na montanha de mudanças desde 2010, quando Lula deixou a presidência no auge de sua popularidade, e 2024, quando gerou uma corrida desnecessária ao dólar por medo de perder pontos de popularidade.
Entre o segundo e o terceiro mandato de Lula, o Judiciário passou a legislar, investigar e condenar; O Congresso ficou com a maior parte do orçamento; as Forças Armadas voltaram a ter sonhos golpistas; Jair Bolsonaro organizou a extrema direita popular; as redes sociais tornaram-se fonte de informação política; as igrejas evangélicas assumiram que querem ditar por lei o comportamento de todos os brasileiros; o mercado financeiro e o agronegócio tornaram-se os eixos mais poderosos da economia; e o Centrão voltou mais forte do que nunca. No mesmo período, os sindicatos de trabalhadores, a indústria, a comunicação social e a presidência da República perderam o poder.
Nestes dois anos do terceiro mandato, o presidente isolou-se nos Palácios do Planalto e da Alvorada como nunca havia feito nos piores dias do Mensalão. Você pode contar nos dedos quais ministros têm acesso direto a Lula: Rui Costa, Fernando Haddad, Alexandre Padilha, Alexandre Silveira, o novo favorito Camilo Santana, o conselheiro Celso Amorim e o “menino de ouro” do Banco Central, Gabriel Galípolo. Outros ministros só recebem atenção direta do presidente quando viajam. Mesmo quem tem acesso a Lula reconhece um presidente menos disposto a ouvir más notícias.
Lula recebe poucos empresários e quando o faz se elogia mais do que escuta. A dificuldade de Lula com a elite hoje é comparável à de Bolsonaro no auge da pandemia de Covid.
Os políticos atuais são unânimes em comparar suas dificuldades de acesso em relação aos mandatos passados – embora grande parte desse distanciamento seja uma forma de Lula se proteger de pedidos que não quer ter o incômodo de negar.
Os próximos dois anos exigirão mais de Lula do que os dois últimos. Será um futuro com um Trump imprevisível, o mercado financeiro está desconfiado e a economia sofre com juros elevados. O sucesso de Lula em lidar com esses desafios dependerá de qual Lula estará no comando.
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