20/11: Ato em BH alia luta pela igualdade racial com fim da escala 6×1

20/11: Ato em BH alia luta pela igualdade racial com fim da escala 6×1


O Dia da Consciência Negra em Belo Horizonte começou com um ato de movimentos de esquerda e forças sindicais na Praça Sete, Hipercentro da capital mineira. Liderados pela Unidade Popular (UP), os manifestantes falaram em memória das conquistas da luta antirracista no país, exigiram a garantia de direitos dos negros e pardos no Brasil e ampliaram a discussão para o fim da jornada de trabalho 6×1tema em voga no cenário político nacional. A reportagem de um recente episódio de violência racial em um supermercado de BH também foi tema do evento.

A partir das 9h, cerca de uma centena de manifestantes se reuniram no quarteirão fechado da Rua Rio de Janeiro para discursos e palavras de ordem. Além da UP, entidades como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o Movimento Correnteza, a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Diretório Central dos Estudantes da UFMG, e sindicatos como os Correios e do Metrô de BH.

Este é o primeiro ano em que o dia 20 de novembro é feriado nacional, após a sanção da Lei 14.759/23 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no final do ano passado. A data já foi oficializada em apenas seis estados e cerca de 1.200 cidades. Em Belo Horizonte, 2024 inaugura o dia como parte do calendário de feriados não só por determinação federal, mas também porque em abril foi sancionado o Projeto de Lei (PL) 11.397, que propunha a medida com base em texto assinado pelas vereadoras Iza Lourença (PSOL) e Wagner Ferreira (PV).

Para Mariana Fernandes, presidente da UP em BH e organizadora do evento, a data não deve ser vista apenas como motivo de comemoração, mas de relembrar e promover as lutas do povo negro em busca de igualdade. Ela destaca que o decreto do feriado é uma oportunidade para ampliar a mobilização dos movimentos.

“Este dia marca um momento em que uma parte da população consegue deslocar-se para o centro da cidade apesar das dificuldades de transporte nos feriados. Ao mesmo tempo, pensamos que este não é um momento para ser comemorado. Embora seja uma conquista garantir um feriado nacional, metade da nossa população vive com algum nível de insegurança alimentar, 90% das pessoas mortas pela polícia em 2023 são negras. Então, achamos que para os negros as condições estão cada dia mais precárias e achamos que este é um momento de brigas de rua”, destacou.

O dia 20 de Novembro recorda a data em que, em 1695, Zumbi dos Palmares, líder da Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência dos africanos escravizados no Brasil. Situado na divisa dos atuais territórios de Alagoas e Pernambuco, o território chegou a abrigar cerca de 30 mil pessoas em oposição à tortura e ao trabalho forçado nas terras de agricultores brancos.

A data é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais do país como forma de suplantar o 13 de maio, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea determinando o abolição do regime escravista. A determinação do dia 20 de novembro como Dia da Consciência Negra é vista como um reconhecimento do protagonismo do povo negro pela sua própria sobrevivência e pela conquista de direitos e soberania na sociedade brasileira.

Mariana Fernandes, presidente da UP em Belo Horizonte

Jair Amaral/EM/DA Imprensa

Escala 6×1

Um dos principais temas do cenário político brasileiro nas últimas semanas tem sido o fim da jornada de trabalho 6×1 com seis dias de trabalho para um dia de descanso na semana. A questão foi reavivada na esfera pública após uma proposta de emenda à Constituição (PEC) assinada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) com base nas demandas do movimento Life Beyond Work (VAT).

A PEC de Erika Hilton propõe alterar a atual jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas e estabelecer quatro dias de serviço e três dias de descanso. O texto se soma a outros que já tramitam na casa com condições semelhantes, como a PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a mesma redução de jornada de trabalho, mas sem a determinação da jornada 4×3.

Para Mariana Fernandes, defender o fim da escala 6×1 dialoga com o Dia da Consciência Negra pela correlação da exploração contemporânea dos trabalhadores precários com o legado de 388 anos de escravidão no Brasil.

“Vivemos um processo de quase 400 anos de escravização de pessoas negras, que foram submetidas a torturas, violências e todo tipo de exploração possível. O negro era visto não como uma pessoa com direitos, mas como uma mercadoria e hoje a classe trabalhadora a nível nacional e internacional encontra-se numa posição em que esta escravatura apenas mudou a forma como ocorre. É uma escravatura moderna em que precisamos de vender a nossa força de trabalho para sobreviver, mas ao mesmo tempo é uma força de trabalho extremamente desvalorizada. Deste ponto de vista, não só a escala 6×1, mas as reformas previdenciárias e laborais recentemente aprovadas tornam cada vez mais precária a situação da nossa classe trabalhadora”, concluiu o presidente municipal da UP.

Denunciando violência racista

A manifestação também teve como mote denunciar um episódio ocorrido na Região Oeste da capital mineira na última quarta-feira (13/11). Na época, testemunhas relataram que um menino de 15 anos foi perseguido por um homem armado dentro de um supermercado e ameaçado com uma arma.

Segundo relatos, Kayo Braga estava dentro do supermercado quando o homem lhe perguntou por que ele estava andando pelos corredores da loja. A discussão teria terminado com o jovem sob a mira de uma arma e sem a intervenção dos seguranças privados locais.

O pai de Kayo, David Rafael, 35 anos, participou do evento na Praça Sete e falou no megafone relatando sua percepção sobre o episódio. Empolgado, o gerente do restaurante contou ao repórter que seu filho trabalha produzindo e vendendo chocolates e estava com dois amigos verificando os preços dos produtos necessários para a atividade quando foi abordado.

Em seu relato, David disse que não sabe se o filho continuará com a atividade de renda extra após o trauma e que está tentando dar suporte terapêutico para Kayo após o incidente. Mesmo assim, o pai destaca que fez questão de participar do evento do dia 20 de novembro como uma mensagem coletiva no combate à violência racial.

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“Não sei se meu filho vai ter essa continuidade porque não sei se ele consegue ou não andar no supermercado. Estamos até procurando um psicólogo para ele fazer tratamento. Já sofri muito racismo, mas não consegui combatê-lo. Não tínhamos redes sociais, não tínhamos a mobilização que temos hoje contra o racismo, então só tivemos que aceitar. Hoje é importante para mim estar aqui para mostrar ao meu filho que ele não precisa passar pelo que passei, que ele pode lutar, que tem armas para combater o racismo e que estamos juntos nisso. Não só eu e ele, mas um monte de gente está conosco”, declarou.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência. A reportagem solicitou posicionamento institucional do supermercado e, até a última atualização desta matéria, não houve resposta. O ato que começou na Praça Sete tem como destino final a loja onde aconteceu o episódio. No caminho, os manifestantes também protestaram dentro do Shopping Cidade com foco no final da escala 6×1.

David Rafael fala em protesto contra o ataque sofrido pelo filho em supermercado em BH

David Rafael fala em protesto contra o ataque sofrido pelo filho em supermercado em BH

Jair Amaral/EM/DA Imprensa



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