É difícil ser brasileiro e não se apaixonar pelo futebol. Esse foi o meu caso. Porém, nunca imaginei ter uma carreira neste mundo, principalmente como mulher. Há muitas pessoas para se inspirar no mundo do futebol, mas quantas são figuras femininas? Muito poucos. Mas depois uma coisa levou a outra e aqui estou, aprovado entre grandes nomes na gestão deste desporto que mobiliza tanta gente, no mais prestigiado curso de especialização, o da UEFA, entidade máxima do futebol europeu, na Suíça. Tudo começou meio por acaso, quando fui estudar administração de empresas no Rio, vindo do Rio Grande do Sul, e consegui um estágio na CBF, em 2017. Me interessei pela parte técnica, mas logo me direcionaram para a parte cerimonial e setor de eventos — caminho que, na época, era considerado “adequado” para as mulheres que chegavam à confederação.
Trabalhar lá foi um grande aprendizado, mas não me preencheu completamente, apesar de ter passado bons momentos lá. Não desisti do meu objetivo, envolvendo-me em vários projetos que me permitiram ter contacto com a área de concorrência. Para reforçar meu currículo, acabei cursando gestão e marketing esportivo e fiz cursos na FIFA e na própria CBF. Mas a cada passo que dava, encontrava barreiras. Lembro que muitas vezes fiquei sabendo de uma vaga recém-aberta e ia me candidatar, enfatizando aos recrutadores: “Olha, eu fiz esse curso, esse outro, estou preparado, podem contar comigo”. Nas administrações anteriores, não foi muito longe. Enfrentei momentos desafiadores, e muitas vezes tive a sensação de que não pertencia àquele lugar, mesmo em uma época em que foram registrados inúmeros avanços femininos na sociedade.
Mais à frente, mesmo avançando, os obstáculos continuaram. Mas sempre mantive o pensamento firme, acreditando que, à medida que avançasse, as dificuldades ficariam para trás. Então ele bateu o pé com mais vigor. Em 2021, já bem conectado, finalmente consegui ingressar onde queria — me tornei coordenador de partidas, responsável pelos jogos nacionais, viajando por todo o Brasil. Fui a primeira mulher desde a criação da entidade, em 1914. Uma mudança importante, sem dúvida. Novos caminhos tornaram-se possíveis juntamente com uma transformação positiva no cenário, que evolui a cada dia.
Claro que teve um grupo que, vendo minha luta, me ajudou e investiu em mim — a ponto de me tornar gerente de marketing da CBF. Atualmente estou em Nyon, na Suíça, mais uma vez como o primeiro brasileiro a quebrar bolhas no futebol, desta vez participando do competitivo programa de especialização da UEFA, um passo crucial no meu desenvolvimento profissional. Foram 35 vagas em um processo rigoroso. Os meus colegas são executivos do Manchester United, Arsenal e Al Hilal, bem como pessoas da FIFA e da própria UEFA. Vejo minha presença como um símbolo de que também podemos cumprir missões relevantes no futebol, desde que haja oportunidade —na CBF, comando um time com quinze mulheres. Quando se abrem as portas ao seu talento, fica claro que há uma evolução, ainda hoje mais visível noutras áreas. A questão essencial é garantir a igualdade de condições. E felizmente esse assunto está sendo discutido. Nunca fomos tão longe em termos de democratização da indústria do futebol. Busco ir ainda mais longe e me sinto honrada em ser a pioneira de muitas mulheres brasileiras que ainda ocuparão este e outros espaços na gestão esportiva.
Andressa Godoy em depoimento a Caio Saad
Publicado em VEJA em 6 de dezembro de 2024, edição nº. 2922
xblue
consignado aposentados
simulador picpay
fácil consignado
consignado online
consignado rápido login
consignados online
creditas consignado inss
loja de empréstimo consignado
como fazer um empréstimo no picpay
empréstimo inss aposentado